‘Carro de US$ 2,5 mil não é projeto, é realidade’, diz Carlos Ghosn

Carlos Ghosn-foto divulgação
Presidente do Renault-Nissan diz que carro popular pode chegar ao país.
Nissan fechou semestre com melhor resultado de sua história no Brasil.

Priscila Dal Poggetto
Do G1, em Curitiba – A repórter viajou a convite da Fenabrave

Apesar das polêmicas que giram em torno do carro “ultra low cost”, que seria um veículo ultra popular, o presidente mundial do Grupo Renault Nissan, Carlos Ghosn, afirmou nesta sexta-feira (22), que o carro de US$ 2.500, o ULC, não é um projeto, mas sim “uma realidade”.

Ghosn reforça que se o carro tiver sucesso na Índia, onde será produzido em parceria com a fabricante de motos Bajaj, o veículo poderá chegar ao Brasil – logicamente, não com o mesmo preço porque os itens de segurança obrigatórios são diferentes, assim como os impostos que incidem sobre a cadeia de produção.

“Se contar que o carro mais barato do mercado brasileiro custa R$ 22 mil, o que a montadora recebe mesmo é R$ 15 mil, o resto são impostos. Então, é possível fazer um carro de US$ 10 mil no Brasil”, explica o CEO, que anunciou também o lançamento dos modelos Renault Sandero Stepway e do Nissan Livina ainda este ano.

Embora exista a possibilidade de se fabricar um carro ultra low cost no Brasil, Carlos Ghosn afirma que não há decisão sobre o assunto porque a prioridade é iniciar a produção do carro na Índia.”Isso não é uma resposta ao Tata Nano, mas sim porque é um segmento de mercado que deve ser explorado. A maioria das pessoas não possui carros, ainda é um luxo”.

Ano de recordes e lucro

Dentro do pacote de anúncios do grupo Renault-Nissan para o Brasil feitos nesta sexta-feira (22), Carlos Ghosn, declarou que 2008 será o ano de recordes e lucro para as duas marcas no Brasil. O maior peso nos resultados vem da Renault que conseguirá antecipar para este ano a meta de vendas 106 mil unidades previstas no plano da empresa para 2009. Até julho deste ano, a marca francesa vendeu 69 mil veículos e deverá chegar a 130 mil em dezembro.

“A Renault ultrapassa os objetivos de volume e rentabilidade. No primeiro semestre, o crescimento das vendas foi 92% maior que no mesmo período de 2007. Ou seja, no período a Renault conseguiu quase o volume total de 2007 e se tornou a 5ª marca do país”, destaca Ghosn, que considera o ano passado como marco em recorde de vendas.

Segundo ele, a “decolagem” é resultado da renovação da linha com os modelos Logan e Sandero, que representam 64% do total das vendas. Para 2010, o objetivo é atingir a marca de 200 mil unidades.

A Nissan fechou o primeiro semestre deste ano com 9.770 unidades comercializadas, o melhor resultado da montadora no Brasil até agora. O crescimento foi de 130%. Até o final deste ano a projeção é vender 18 mil unidades no país. Até o final de 2009 a Nissan pretende vender 40 mil veículos.

Para os próximos anos

Na opinião de Carlos Ghosn, o grupo continuará a compensar os deficientes mercados europeu, japonês, e norte-americano com as vendas dos países emergentes. “O mercado mundial cresce com duas realidades”, afirma. Segundo ele, a previsão para crescimento do setor no Brasil em 2009 é acima de 10%. “O mercado ficará acima de três milhões de veículos”.

Fonte: G1 Globo Online