1-Mercado brasileiro de automóveis fecha 2008 com recorde, mas crise traz apreensão

Da Auto Press

Foi um ano de contrastes. O mercado brasileiro automotivo começou 2008 no mesmo ritmo empolgante de 2007 e vai encerrar mais um ano de recorde. Mas o bolo de comemoração pela marca de 2,81 milhões de unidades vendidas, cerca de 14% a mais que no ano passado, segundo projeções da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), “solou” no último trimestre. A crise financeira passou como um furacão em outubro e deixou o setor atônito e receoso. As vendas recuaram forte no fim do ano e só a mãozinha do governo deu certo fôlego às vendas, evitou pretextos para demissões na indústria e contribuiu para uma melhora do humor do setor. “Todos devem lembrar e comemorar que, apesar destes últimos meses, o setor fecha o ano quebrando todos os recordes históricos de produção e vendas. Estou otimista para 2009”, garante Jackson Schneider, presidente da Anfavea.

2008 NO RETROVISOR
As perspectivas para 2008 eram ainda mais otimistas e os mais de 70 lançamentos previstos — entre novos modelos, reestilizações de linha e novas versões — ilustram bem o panorama esperado. O primeiro semestre fechou com vendas 26% superiores ao mesmo período de 2007 e com as projeções de o mercado ultrapassar as 3 milhões de unidades mais do que confirmadas. Mas aí veio o “setembro negro” do mercado norte-americano e o mercado brasileiro logo acusou o golpe. Em menor proporção, é verdade. Mas ainda assim o crédito diminuiu, o consumidor fugiu e as quedas foram inevitáveis. Mas, a diminuição das vendas, de certa forma, era aguardada naturalmente pelo setor.

“Foi um fenômeno diferente. Que haveria uma desaceleração era certo, mas imaginávamos que o mercado iria crescer menos e não cair”, analisa Christian Pouillaude, vice-presidente comercial da Renault.

Para especialistas do mercado, a desaceleração, porém, chegou mais cedo e de forma mais abrupta. Isso porque o Brasil vivia um momento singular, com índices de vendas muito elevados, além do normal até. Ou seja, chegaria a hora de o mercado se adequar. O que pode ocorrer logo no próximo ano. “A indústria já esperava. A projeções para o próximo ano é que mudaram. Foi uma desaceleração precipitada e abrupta. Vínhamos em céu de brigadeiro, mas em outubro enfrentamos uma forte turbulência”, acredita Alberto Pescumo, gerente geral comercial da Honda. “Mesmo que não tivesse tido todo esse caos, o mercado teria de encarar uma estabilidade em um patamar de crescimento normal. Estávamos crescendo três, quatro vezes o PIB. Hoje o mercado está voltando a ter um crescimento normal, como deveria ter sempre”, acredita Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

Em meio a anúncio de férias coletivas, especulações de demissões e previsões alarmistas, o bote salva-vidas partiu de Brasília. O governo tratou de liberar R$ 8 bilhões para os bancos das montadoras e, no início de dezembro, anunciou a redução das alíquotas do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e reaqueceu o mercado às vésperas do final do ano.

“Foi uma ação de muita sensibilidade do governo. Uma grande sacada para tentar retomar um pouco o mercado que perdemos nos últimos meses. A velocidade com que o governo e as montadoras agiram foi de extrema importância”, ressalta Ivan Nacano, gerente de vendas da Ford.

De qualquer forma, ninguém se anima muito e prefere manter o discurso cauteloso para 2009. “É prematuro tirar qualquer conclusão. Há uma grande preocupação com relação a estoques na revenda, condições de mercado ainda não estabilizadas e dólar sem equilíbrio. Temos de acompanhar muito de perto”, receita Tai Kawasaki, vice-presidente comercial da Nissan.

JANEIRO
– A Mahindra chega ao Brasil com uma linha de comerciais leves. O fabricante indiano lança o Scorpio SUV e o Scorpio Pik-up com motor 2.6 turbodiesel de 110 cv e montados em sistema CKD nas fábricas da Usiminas em Pouso Alegre, Minas Gerais, e da Bramont, na Zona Franca de Manaus.

– A Hyundai começa a importar o Azera com a mesma estratégia de bom custo/benefício que consagrou
Fonte: Uol Carros