A difícil travessia até o início de 2009

Novembro e dezembro serão meses bastante difíceis para os fornecedores de autopeças. Enquanto algumas empresas se precipitam em decisões que podem ser imediatistas, outras acreditam que é preciso aguardar janeiro para decisões estratégicas e ajustes.
Para os fornecedores da indústria automobilística um dos maiores desafios do momento é calibrar o nível da produção para os próximos meses. Os responsáveis pelo planejamento estão em busca de indicadores e sinais que permitam seguir em frente com alguma segurança. Pátios cheios em montadoras e concessionárias são indicador de preocupação. A Anfavea revelou na última coletiva de imprensa que os estoque de veículos nos pátios subiu para 297.772 unidades no final de outubro, contra 260.453 em setembro. Fotos dos jornais não deixam dúvida a respeito: há pouco espaço para colocar os carros novos. As férias coletivas nas montadoras estão sendo acompanhadas pelo setor de autopeças. O Sindipeças está empenhado em atualizar seus indicadores. Anfavea e Fenabrave recebem os relatórios de emplacamentos diários, mas são informações para uso interno e consideradas confidenciais. De modo geral, são poucas as notícias otimistas, que estão reservadas mais às áreas de caminhões. Enquanto a programação de Mercedes e VW Caminhões estiver de pé, tudo bem – é bom indicador. E Nour Bouhassoun, diretor de marketing e vendas de pneus de carga da Michelin América do Sul, disse à Gazeta Mercantil que as duas empresas, seus maiores clientes, não reduziram a produção de caminhões no País. “Não temos estoque nas fábricas e, se houver férias nas montadoras, vamos estudar formas para reduzir a nossa produção”, disse Bouhassoun. Já na área de veículos leves a coisa é bem diferente. Com férias coletivas e o varejo travado, as montadoras estão fazendo duros cortes de curto prazo que variam de 15% até 30% da programação de novembro e dezembro. As encomendas são revistas caso a caso, dependendo de estoques de autopeças disponíveis. Por conta disso, alguns fornecedores já preparam demissões para ajustar seus quadros. Depois de meses sucessivos de resultados muito bons para todos os players na cadeia de produção, pode ser precipitação fazer demissões apressadas e reestruturar operações. O imediatismo nessas decisões e o alarmismo que elas provocam podem até mesmo comprometer o futuro do setor. É cedo ainda para ter a dimensão efetiva do impacto da crise. Seria prudente esperar sinais mais claros para decisões efetivas. Há, afinal, a expectativa de que as vendas no varejo sejam destravadas com novos recursos para financiamento e, sem estoque nos pátios, as linhas de produção voltem a acelerar em janeiro e fevereiro. Nada parecido com o ritmo frenético dos meses anteriores, mas quem sabe o suficiente para reanimar o setor.
Fonte: Automotive Business