A importância do nome certo

De ventos a palavras sem significado, eles podem até afetar a decisão de compra

Luís Felipe Figueiredo

São Paulo – O nome de um veículo é tão importante para seu sucesso quanto a aparência. “Pode afetar a decisão de compra, por isso as fábricas tomam muito cuidado com traduções e significados”, afirma o consultor Arnaldo Brazil, da Prime Action.

É importante o nome representar a proposta do carro. “Se for um modelo familiar, deve simbolizar isso. Num esportivo, é preciso refletir essa força, como o Ford Mustang (raça de cavalo)”, diz Brazil. Outro exemplo desse grupo é o Lamborghini Gallardo (raça de touro).

Segundo Brazil, há três tipos de nomes: significantes, não-significantes e os com a chamada arquitetura da marca-mãe. Esse último é o adotado por Audi, BMW e Mercedes-Benz, por exemplo, e representa códigos. A maior referência é a marca, com personalidade definida.

“O sujeito tem um Mercedes. Não importa o modelo. Esse recurso economiza verba de marketing para trabalhar o nome do novo produto”, explica Brazil.

Nomes não-significantes são os de planetas, fenômenos naturais, os criados por computador ou mesmo os sem sentido. Vectra, Twingo, Kangoo e Jetta estão entre os exemplos. Os três últimos foram criados por computadores e têm pronúncia fácil em vários idiomas. Bora, Santana e Passat, da Volkswagen, são nomes de ventos.

Já os significantes podem ser bem aceitos ou causar confusão. “No Brasil houve um caso de sucesso, a van Kia Besta”, diz Brazil. O nome verdadeiro era Best-A, mas foi feita a mudança para se referir ao animal, mais adequado à proposta de trabalho do veículo.

Às vezes é preciso alterar o nome. É o caso do Mitsubishi Pajero, chamado Montero em países de língua espanhola, em que a denominação original pode ter significado polêmico. “Sul-coreanos e chineses são os mais resistentes à adequação”, diz Brazil. O Kia Picanto remete a “picante”. Confusão maior causa a chinesa Chana, nome chulo do órgão sexual feminino no Brasil.

Fonte: Agência Estado