A5 Sportback chega ao Brasil


Versão sedã do modelo tem preço atraente, mas fica devendo no motor

Texto: Rodrigo Ribeiro
Fotos: Divulgação

(04-05-10) – O cenário não poderia ser mais requintado: no impecável gramado do clube de polo patrocinado pela Audi, o A5 Sportback contrastava com cavalos puro-sangue e com o helicóptero a serviço do presidente da marca no Brasil, Paulo Kakinoff. Ironicamente, os dois destaques do modelo, que chega ao país no final do mês, não combinavam com o cenário.

O primeiro é o preço. Não que R$ 189.900 seja um valor baixo, mas nas palavras do próprio Kakinoff, o A5 Sportback chega ao país para ser mais do que um mero sedã para poucos. “Optamos por uma margem de lucro menor, justamente para ganhar volume”, afirmou o presidente durante o lançamento do modelo. Por “volume”, subentenda-se 150 carros até o final do ano. A meta é condizente com o segmento, que nesta faixa de preço conta apenas com o Passat CC, que vendeu 220 unidades em 2009. Porém o concorrente da Volkswagen cobra menos (R$ 174.500) por mais potência (300 cv, contra 211 cv do A5 Sportback).

O segundo destaque desta nova versão do A5 é motivado pela opção da Audi de trazer um modelo com preço inferior. Para reduzir a carga tributária, baseada na cilindrada do carro, a fabricante optou por oferecer uma única versão no Brasil, equipada com o mesmo motor 2-litros turbo do A3 e A4. Se o motor tem força de sobra nos modelos menores, desanima quando o sedã grande põe o pé na estrada.

Mas antes de rodar, vamos dar uma olhada no A5 Sportback. Derivado do A5, o sedã entra na onda do três volumes com design de cupê. O segmento, inaugurado pela Mercedes-Benz CLS, já recebeu representantes da Porsche (Panamera), Aston Martin (Rapide) e Volkswagen, com o Passat CC. A BMW já apresentou um conceitode seu “cupê de quatro portas”, enquanto a Audi confirmou o lançamento do A7, maior que o A5 Sportback e rival direto do CLS.

A categoria tem como principal virtude o desenho, que tira o ar sisudo dos sedãs ao adicionar linhas fluidas por toda a carroceria, além da obrigatória coluna C bem inclinada, como em um cupê. A Audi ainda adicionou um tempero extra à receita, ao permitir que a tampa do porta-malas do A5 Sportback leve consigo o vidro traseiro, como em um hatchback. A alternativa chama a atenção e pode ser vista em outro sedã, o Citroën C5

Se a enorme tampa do porta-malas permite um excelente acesso ao compartimento de 480 litros, o mesmo não se pode dizer das portas traseiras. A coluna C, aquela que dá o charme ao modelo, prejudica a entrada dos passageiros com 1,75 metro ou mais. Dentro do carro a situação melhora um pouco, mas bater a cabeça na coluna de vez em quando é inevitável.

Talvez por isso o A5 Sportback é “tecnicamente, um sedã 2+2”, segundo Kakinoff. Ou seja, pode carregar confortavelmente dois adultos e duas crianças no banco traseiro. O executivo também destacou que seu proprietário dificilmente frequentará outro lugar no carro que não o assento do motorista. O que seria uma pena, dado o generoso entre-eixos de 2,81 metros, o segundo maior da marca – só perde para a versão alongada do A8. Se bem que depois de dar uma volta com o carro, o dono do A5 Sportback pode acabar cedendo o volante do sedã sem nenhum desgosto.

Impressões ao dirigir

A posição de dirigir do A5 Sportback é agradável, principalmente por permitir que o motorista fique mais próximo do solo – característica encontrada em esportivos e na versão cupê do modelo. O acabamento é excelente, e o volante de pegada firme conta com borboletas para trocas de marcha, apesar delas não existirem.

Explica-se: o sedã usa um câmbio continuamente variável, que pode gerar múltiplas relações de marcha. Contudo, a Audi optou por criar eletronicamente oito relações, dando a sensação do câmbio ter oito velocidades. No Brasil o Nissan Sentra também conta com essa transmissão, mas sem “marchas virtuais”.

Confortável para a cidade, o câmbio não combina com quem procura por uma tocada mais esportiva, o que poderia ser so
Fonte: WebMotors