Abeiva revisa projeções para baixo

Vendas de importados deverão chegar a 130 mil unidades em 2013

CAMILA FRANCO, AB

Com resultados negativos em maio e também no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a Abeiva, entidade que reúne 29 importadores de veículos sem fábrica no Brasil incluindo a Lifan Motors, que acaba de se associar, revisou suas projeções para baixo. De acordo com Marcel Visconde, vice-presidente da Abeiva e presidente da Porsche no Brasil, que esteve com a imprensa na quarta-feira, 12, a entidade prevê que as vendas se aproximarão de 130 mil unidades em 2013, 20 mil a menos do que o esperado no começo do ano.

“A um mês do fechamento do primeiro semestre, com os resultados obtidos, já podemos antecipar que as associadas não terão chances de chegar as 150 mil unidades. Esperamos ao menos repetir o desempenho de 2012, ano em que comercializamos cerca de 130 mil carros, considerando as cotas de importação já confirmadas para as marcas habilitadas no Programa Inovar-Auto e as importações extras”, declarou Visconde.

RESULTADOS

De janeiro a maio deste ano, as importadoras da Abeiva anotaram queda de 24,9% em suas vendas na comparação com o mesmo período do ano passado, para 44,9 mil veículos emplacados. Somente em maio último, quando foram comercializados 9,5 mil carros importados, a queda foi de 22,6% sobre o mesmo mês de 2012, que fechou com 12,3 mil unidades. No comparativo entre os meses de maio e abril deste ano, a desaceleração foi de 13,6%.

Enquanto isso, as vendas no mercado interno emplacamento total de automóveis no Brasil seguiram em caminho contrário, com crescimento de 9,5% em maio sobre o mesmo mês do ano passado, chegando a 300,6 mil unidades. De janeiro a maio, o mercado interno somou 1,4 milhão de automóveis licenciados, 8,7% a mais do que nos primeiros cinco meses de 2012.

A participação das associadas no mercado total de veículos passou de 3,5% em abril para 3,1% em maio. Nos primeiros cinco meses de 2012 o market share dessas empresas no mercado era de 4,63%. No mesmo período deste ano, caiu para 3,2%.

Visconde comenta que o resultado de maio poderia ter sido muito melhor para várias associadas da Abeiva, acompanhando o ritmo do mercado interno de automóveis. No entanto, isso não aconteceu porque boa parte das importadoras tiveram problemas com seus estoques. A Audi, por exemplo, enfrentou impasses logísticos e teve dificuldades para importar os modelos Q3 e Q5, que são trazidos da Espanha pelo Porto de Paranaguá, no Paraná.

“Este tem sido um ano de aprendizado para as associadas por conta da definição de cotas de importação sem o adicional dos 30 pontos do IPI volume calculado com base na média das importações de cada empresa nos últimos três anos, com teto máximo de 4,8 mil unidades anuais. Cada marca teve que adequar o seu mix de vendas de acordo com as cotas, dando prioridade para os modelos mais vendidos. Houve falta de produtos nas concessionárias por conta desses ajustes e também por problemas logísticos. A partir de junho a disponibilidade de produtos deve ser regularizada”, explicou o vice-presidente.

A participação das associadas da Abeiva no mercado de importados passou de 18,5% em abril para 17,2% em maio. Os demais veículos são de empresas filiadas à Anfavea, que mantêm fábricas no Brasil, cuja participação no mercado de importados foi de 82,8% em maio, com 45,8 mil unidades vendidas.

Na visão do vice-presidente, o market share dos importados da Abeiva tem sido favorecido em função do esgotamento temporário das cotas do México, reduzindo os volumes das associadas à Anfavea. De janeiro a maio deste ano, o volume de compras do México caiu 44,6% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 85,1 mil unidades para 47,2 mil. As importações da Argentina, em compensação, apresentaram alta de 9,6%, na mesma base de comparação, chegando a 134,6 mil unidades nos primeiros cinco meses deste ano.

OTIMISMO

Fonte: Automotive Business