Aceleramos o Nissan March, que chega em outubro


Compacto da Nissan é o primeiro popular japonês no país e irá enfrentar Uno e Gol

Ricardo Sant´anna, da Cidade do México

March não foge às origens: segue design “simpático” dos compactos japoneses, mas e necessário tempo até se acostumarA partir de outubro, a dupla Gol e Uno terá um concorrente incomum. O Nissan March chega com a responsabilidade, e talvez a vantagem, de ser o primeiro “popular” de uma marca japonesa no país. Importado do México (e, portanto, isento dos 35% de Imposto de Importação), ele desembarca com a missão de ser um compacto diferente. “Os consumidores não compram carro popular com emoção, mas por ser a única opção possível. Queremos mudar essa história com um modelo inovador”, afirma o norte-americano Erik Gottfried, gerente de marketing e planejamento estratégico do March no Brasil.

Desenvolvido pela matriz no Japão, o hatch não causa amor à primeira vista. É preciso tempo para se acostumar ao visual dele. Com 3,78 m de comprimento e 1,66 m de largura, tem porte similar ao do Fiat Uno. As linhas arredondadas garantem estilo simpático, com direito a “olhos bem abertos”, graças aos faróis redondos. A traseira causa estranheza devido às pequenas lanternas nas extremidades. Mas se o design não inova, o projeto sim: foi feito para usar menos peças e, com isso, ser mais leve. A versão avaliada (1.6) pesa apenas 960 kg, com 18% a menos de componentes, diz a Nissan.

À venda em outubro, o March será fundamental para a Nissan alcançar 5% do mercado brasileiro até 2014É debaixo da carroceria que se esconde um dos destaques do March. A nova plataforma V da Nissan, que dá origem também ao sedã Sunny (chega ao Brasil em 2012) e a um monovolume que está fora dos planos para o mercado nacional. “A plataforma é versátil e permite um carro com teto alto, grandes vidros e rodas nas extremidades. Tem ótimo espaço interno e ampla visibilidade”, ressalta Gottfried.

Ao abrir a porta, porém, já notamos o primeiro ponto negativo: o acabamento dos painéis de porta, com plástico não muito animador e parafuso exposto. O banco é confortável, com revestimento simples. O painel segue o mesmo padrão: traz material agradável, design pouco inspirado e sistema de som do tipo double-din na parte superior, com os comandos do ar-condicionado logo abaixo. O rádio se destaca pela qualidade, infinitamente melhor aos concorrentes do mesmo nível, com bons alto-falantes e ótima sintonia.

Há três porta-copos, além de mais nichos nas portas e sobre o pequeno porta-luvas. Quem se acomoda no banco traseiro não encontra espaço de outro mundo para as pernas, mas garante um bom recuo para a cabeça, graças ao teto alto. O porta-malas de 265 litros é tão compacto quanto o dos concorrentes.

A Nissan não esconde que projetou o March para países emergentes como o Brasil, com asfalto judiado e trânsito caótico. Assim também é o México, onde o carro foi apresentado oficialmente aos jornalistas brasileiros. Topo de linha, a versão avaliada tem motor 1.6 16V a gasolina, de 106 cv e com 14,5 kgfm de torque. É no cenário urbano que o hatch se sai melhor. Os vidros amplos proporcionam ótima visibilidade, inclusive na traseira e nas laterais, dotadas de retrovisores altos. O tamanho compacto facilita as manobras em meio ao trânsito, assim como as balizas.

Interior simples foi pensado para economizar peças. Sistema de som surpreende pela qualidadeAo dar a partida, nota-se um motor liso e silencioso, bastante agradável para quem está a bordo. O propulsor nasceu a partir da unidade 1.8 do Tiida, e será flex no Brasil. Segundo a Nissan, ele é capaz de alcançar até 15 km/l de consumo na cidade, número que deve piorar com a gasolina brasileira, dotada de etanol. Na primeira volta, a direção elétrica se mostra bem justinha e o câmbio revela engates rápidos e precisos. No entanto, a relação longa não deve agradar aos brasileiros.

Instrumentos são simples e medidor de gasolina é digitalÉ preciso pisar fundo no ace-lerador para explorar a melhor faixa de torque, que só aparece em rotaçõe
Fonte: Auto Esporte