Ajuda do governo sinaliza um cenário positivo para 2009

Thomas Schmall Presidente da Volkswagen

“Brasil se encaminha para uma expansão firme e moderada”, diz Thomas Schmall

WAGNER OLIVEIRA
SÃO PAULO

Realizado em duas semanas de turbulência econômica, o 25° Salão Internacional do Automóvel de São Paulo terminou ontem no Anhembi em clima de confiança no País, que poderá sair de modo mais tranqüilo da crise do que em outros episódios passados de forte desaceleração de vendas. A rápida resposta do governo federal frente a escassez de crédito, manutenção dos investimentos e lançamento de novos produtos criaram boa expectativa de recuperação do mercado nos próximos dias, sinalizando um primeiro bimestre de 2009 com resultados, senão positivos, iguais ao do mesmo período de 2008 — o que será muito bom diante das primeiras projeções pessimistas.

“Os recursos do governo federal já estão chegando e serão positivos neste instante”, afirmou o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, na última sexta-feira no Salão do Anhembi. “As vendas têm tudo para se recuperar nesta ação rápida que a indústria tomou em conjunto com o governo”.
Schmall afirmou à Gazeta Mercantil crer em crescimento sustentado do mercado brasileiro a partir de 2009. Para ele, o Brasil era caracterizado por sobe-e-desce nas vendas, mas se encaminha para uma expansão firme e moderada na casa de 5%, o que proporciona um melhor cenário para os fabricantes traçar suas estratégias. “Estamos muito confiantes no cenário brasileiro”, afirmou Schmall.

O diretor de rede da Citroën, Domingos Boragina, afirmou que, embora as vendas tenham caído em outubro, os proprietários de concessionárias estão confiantes na retomada das vendas. No último final de semana, a Citroën lançou uma campanha com juro de 0,49% para toda a sua linha para impulsionar as vendas. Para ter direito a esta promoção, o consumidor tem que dar entrada de pelo menos 50%. Boragina afirmou que, mesmo durante a crise, não parou de receber propostas de vários grupos querendo instalar revenda da Citroën em muitas cidades do País. “Isto é uma mostra de confiança, já que abrir uma revenda de carro não é uma tarefa das mais fáceis”, afirmou. Para ele, o que mais prejudica o mercado de novos é a dificuldade na venda de carros usados. “Ou o carro usado terá de ser desvalorizado para dar fluência a venda de novos , ou o restabelecimento do crédito normaliza o mercado em níveis parecidos ao que estava antes da eclosão da crise”, disse.

Proprietário de revenda em João Pessoa (PB), o empresário Germano Guedes afirmou que a queda de vendas em outubro assustou, mas que o setor não pode se deixar levar pelo pessimismo. “Temos que encontrar maneiras de buscar retomar as vendas. O brasileiro quer comprar carros. Acredito numa virada e na retomada no fim de novembro e dezembro”, afirmou.

Com a presença do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançou na sextafeira no Salão do Automóvel um programa de etiquetagem para medir, entre outras coisas, o consumo urbano e rodoviário dos carros zero quilômetro.
Elaborado em parceria com as montadoras, o Programa de Brasileiro de Etiquetagem Veicular entra em vigor em abril de 2009. Para o consumidor, será uma importante ferramenta para saber desempenho e autonomia do veículo. A divisão da etiquetagem será feita em oito categorias: subcompacto, compacto, médio, grande, esportivo, fora de estrada, comercial leve e comercial derivado de veículo de passageiro.
Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que aderiu ao programa, afirmou que a etiquetagem vai ajudar o consumidor a fazer a melhor compra. “O consumidor tem direito de saber quanto o carro que quer adquirir consome”, afirmou.
Nem todos os fabricantes atualmente informam o consumo. Com medo de processos judiciais, montadoras não trazem no manual do proprietário resultados de desempenho porque a replicação dos dados depende de uma série de variáveis, que vão desde a ação do motorista ao clima.
Com a e
Fonte: Gazeta Mercantil