Alemanha pode rejeitar pedido de ajuda da GM


Os planos da General Motors para recuperar as operações na Europa podem ser prejudicados. O governo da Alemanha deu sinais de que vai rejeitar o pedido de € 1,1 bilhão em ajuda estatal feito pela montadora, afirmando que a companhia norte-americana possui dinheiro suficiente para financiar a reestruturação por si só. A decisão final do governo da Alemanha é esperada para esta quarta-feira, mas a recomendação, de um conselho diretivo governamental, deve ser endossada.

A rejeição proposta, detalhada em documento a que a Dow Jones teve acesso, não será surpresa para a GM, depois de meses de relações tensas provocadas pela decisão da montadora de desistir da venda de suas operações europeias, no final do ano passado, em um negócio que era apoiado pelo governo alemão. A principal unidade da GM na Europa, a Adam Opel GmbH, na Alemanha, agora poderia enfrentar cortes maiores como resultado daquela decisão.

De acordo com a recomendação do conselho, o pedido da GM “não atende aos requerimentos necessários” para o apoio estatal. “A General Motors possui recursos financeiros suficientes para financiar a reestruturação de sua divisão europeia por si só”, diz o documento, datado desta terça-feira, 8.

“Depois do pagamento integral dos empréstimos dos governos dos EUA e do Canadá, a liquidez livre da GM é estimada em cerca de € 10 bilhões”, afirma o documento. No ano passado, a fabricante recebeu bilhões de dólares dos governos norte-americano e canadense, depois de pedir concordata face a prejuízos crescentes, mas voltou a ter lucro no primeiro trimestre de 2010. Um porta-voz da Opel afirmou que a companhia não tinha nada de novo a dizer.

A GM procurou ajuda estatal da Alemanha para financiar seu plano de recuperação na Europa. O financiamento necessário para a GM na Europa é de € 3,7 bilhões, dos quais € 1,9 bilhão seriam providos pela própria GM. A companhia também pediu ajuda de outros governos europeus onde tem operações.

A GM esperava que a Alemanha contribuísse com a maior parte da ajuda, mas dirigentes alemães – entre eles o Ministro da Economia, Rainer Bruederle – mostraram-se relutantes. No final do ano passado, a GM mudou de ideia quanto ao plano de vender a Opel à indústria canadense de autopeças Magna International e ao OAO Sberbank da Rússia, irritando o governo alemão, que apoiava o negócio.

Quando a GM reportou, em maio, a recuperação da lucratividade depois de três anos, Bruederle afirmou que a companhia teria capacidade de recuperar a Opel sem a ajuda do governo alemão. Nos últimos meses, a opinião pública na Alemanha azedou quanto a ajudas a empresas. O governo da chanceler Angela Merkel está adotando cortes de gastos, depois de contribuir para um pacote europeu de ajuda à Grécia.

Pelo menos duas das quatro fábricas da Opel na Alemanha estarão em risco se o governo rejeitar o pedido da GM. De acordo com o chefe do conselho de trabalhadores da Opel, Klaus Franz, outros países europeus com unidades da Opel e da Vauxhall cortariam suas ajudas de € 800 milhões.

A GM planeja reduzir sua capacidade de produção na Europa em 20%, como parte de seu último esforço de recuperação. Cerca de 8,3 mil empregos podem ser cortados, dos 48 mil na região, sendo 4 mil deles na Alemanha. O plano da GM prevê que apenas a unidade da empresa em Antuérpia, Bélgica, será fechada, se nenhum investidor for encontrado a tempo.

O governo anterior do Reino Unido havia dito que poderia oferecer € 300 milhões em empréstimos para a Vauxhall, subsidiária britânica da GM, mas o novo governo, eleito no mês passado, pressionado a cortar o enorme déficit orçamentário, prometeu rever todos os contratos assinados pela administração anterior depois de 1º de janeiro. O processo está em andamento.

Na Espanha, um representante do Ministério da Indústria afirmou que a GM pediu garantias do Estado para emitir dívida. O pedido está sendo analisado. O governo regional de Aragón, onde a fábrica da GM se localiza, planeja oferecer garantias de € 160 milhões e o governo espanhol poderi
Fonte: Automotive Business