Aliança de quase 20 anos entre Renault e Nissan corre risco após prisão de Carlos Ghosn

    Respeitado por resgatar a Nissan de uma situação de quase falência, Carlos Ghosn, presidente da Aliança que controla as fabricantes Renault, Nissan e Mitsubishi foi preso nesta segunda-feira (19) no Japão.

    Nascido no Brasil, formado na França e de ascendência libanesa, o executivo de 64 anos é acusado de má conduta financeira e sonegação fiscal. Ghosn poderá cumprir até 10 anos de reclusão e pagar multa de cerca de 10 milhões de ienes (cerca de R$ 334 mil). 

    A Nissan anunciou que Ghosn será demitido oficialmente do cargo nesta quinta-feira (22). Outro membro do conselho, o diretor-representante Greg Kelly também está sendo investigado por má conduta. 

    A prisão de Ghosn pode colocar em risco a aliança Renault-Nissan de quase 20 anos e que responde por aproximadamente 10 milhões de veículos vendidos por ano. O executivo tornou-se CEO da Nissan, parceira da Renault em 2005, presidente da Nissan de 2008 e presidente da Renault em 2009.

    De acordo com o CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, o escândalo veio à tona através de um denunciante, sendo que a empresa logo iniciou uma investigação interna e comunicou os promotores. Informações publicadas na imprensa internacional apontam que o informante é membro do departamento jurídico da Nissan. Até o momento, a fabricante não confirmou a alegação.

    Segundo a legislação japonesa, um suspeito pode ser detido pelos promotores por até 20 dias antes de ser acusado ou liberado. Tsutomu Nakamura, ex-promotor do Ministério Público do Distrito de Tóquio, previu que Ghosn será indiciado em 7 de dezembro, último dia útil antes do prazo máximo.

    Imagem: Divulgação

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