Anfavea diz que medidas do BNDES ajudam a retomar ritmo pré-crise

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O presidente da Anfavea (associação das montadoras), Jackson Schneider, afirmou nesta terça-feira que as mudanças para concessão de crédito que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou hoje são adequadas e podem ajudar a indústria a retomar o ritmo registrado antes do agravamento da crise financeira.

Entre as operações que foram ampliadas pelo BNDES está uma linha para financiar a compra de ônibus e caminhões. Para veículos novos, o financiamento foi estendido de 80% para 100% do valor do bem. Para usados, linha inédita, o crédito é de até 80% do valor.

Os juros são de 7,9% ao ano para financiamentos de até 80% para grandes empresas e 100% para pequenas empresas. A taxa sobe para 8,6% no crédito para financiamento total de bem para grandes empresas. Nos dois casos já há encarecimento das operações.

“É uma medida adequada para um setor importante que vem sofrendo reduções importantes”, afirmou Schneider. A venda de caminhões caiu 20% em janeiro na comparação com o mesmo período de 2008. A produção retraiu 30%, já que as exportações sofreram forte redução.

“É uma das medidas que pode ajudar a retomada de ritmo desse segmento”, disse Schneider.

Crédito

O BNDES anunciou nesta terça-feira a ampliação das suas linhas de crédito para ajudar as empresas a enfrentarem a crise econômica. Os empréstimos terão, no entanto, uma taxa de juros 2,5 ponto percentual acima da cobrada hoje pelo banco na maioria dos seus financiamentos.

A maioria das operações do banco estatal de desenvolvimento tem juros atrelados à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), hoje em 6,25% ao ano. As novas linhas estarão ligadas à TJTN (Taxa e Juros do Tesouro Nacional), de 6,25% mais 2,5% ao ano (8,75% ao ano).

Esse aumento se deve ao encarecimento do crédito repassado pelo Tesouro Nacional, que disponibilizou mais R$ 100 bilhões para o BNDES aumentar suas linhas de crédito.

As linhas são destinadas a exportações, compra de ônibus e caminhões, aquisição de máquinas e equipamentos, capital de giro e empréstimo-ponte.

Juros

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que seria injusto dizer que o banco está aumentando suas taxas de juros. Segundo ele, esse custo maior se deve às novas linhas de crédito que estão sendo criadas pelo banco.

“Ampliou o conjunto de operações que são consideradas investimento e o juro ficou mais caro. Tem muita coisa que não está financiada hoje e que será financiada”, afirmou.

Segundo Coutinho, apesar do custo maior, as taxas ainda estão abaixo das praticadas no mercado financeiro.

“Esses R$ 100 bilhões nos foram repassados ao um custo mais alto que a TJLP. Estamos buscando substituir algumas coisas que o mercado deixou de fazer e estamos fazendo de modo ainda mais barato do que o mercado cobrava”.

Capital de giro

No crédito para exportação, o prazo foi ampliado de 18 meses para 24 meses e o limite de R$ 150 milhões foi eliminado.

Para capital de giro, o banco estatal de investimento ampliou as regras da linha PEC-BNDES e conta com R$ 6 bilhões, sendo que R$ 1 bilhão já foi emprestado, com prazo de 36 meses e taxa final de juros de até 19% ao ano. O financiamento máximo por empresa subiu de R$ 50 milhões para R$ 200 milhões.

“Essa será a linha de giro mais barata existente no mercado. O volume atual é de R$ 6 bilhões. Mas se houver demanda temos recursos para expandi-la.”

Coutinho afirmou que essa é uma linha transitória, que deve ajudar as empresas a ter crédito mais barato durante 2009 para minimizar os efeitos da crise econômica.

“Não é papel do BNDES operar linhas de capital de giro. É uma linha que a gente espera que tenha data para terminar.”

Fonte: Folha Online