Anfavea projeta vendas estáveis no ano

Mas prevê avanço de compras de carros
fabricados no Brasil

PEDRO KUTNEY, AB

A queda de 7,1% nas vendas de veículos no
ano passado levou o mercado brasileiro a recuar ao mesmo nível de 2010, com
quase 3,5 milhões de unidades emplacadas no País. Após o período difícil, a
associação dos fabricantes, a Anfavea,
decidiu seguir o “efeito manada” e também embarcou na aposta do crescimento
zero em 2015. Mas Luiz Moan, presidente da entidade, avalia que a projeção é
conservadora: “Nós acreditamos fortemente que os estímulos já dados ao crédito
e a nova legislação de retomada rápida do bem em caso de inadimplência devem
reaquecer os negócios”, disse o dirigente na quinta-feira, 8, durante a
primeira reunião do ano com jornalistas, em que foram apresentados os números
consolidados de 2014 e as previsões para este ano.

Moan embasa sua confiança no aumento dos financiamentos de veículos concedidos
na metade final de 2014. De setembro a novembro do ano passado houve expansão
de 11% nas concessões de crédito para compra de carros na comparação com o
período anterior de janeiro a agosto. “E esse crescimento ainda não inclui o
efeito da nova legislação de retomada rápida do bem de inadimplentes, que foi
aprovada no fim do ano e somente de agora em diante começa a trazer impactos
positivos ao mercado”, avalia o dirigente.

A Anfavea também prevê que as vendas de carros fabricados no Brasil vão
crescer. Isso porque a alta do dólar e a volta da alíquota cheia de IPI deve
impactar mais fortemente o preço dos produtos importados, tornando os nacionais
mais competitivos. “Mais de 1% do mercado deixará de ser abastecido por importados
e passará a ser de carros feitos aqui”, projeta Moan. Segundo ele, a
expectativa é que a fatia dos estrangeiros baixe dos 17,6% registrados em 2014
para 16% este ano. Isso significaria aumento de cerca de 2% nos emplacamentos
de veículos brasileiros, ou 56 mil unidades a mais em comparação com o ano
passado, e uma queda de 9% para os importados.

CRÉDITO X PREÇO

A esperança é que os níveis baixos de
inadimplência – hoje em torno de 4% nos financiamentos de veículos – e a
redução do risco trazido pela nova legislação aumentem o apetite dos bancos em
conceder crédito, o que poderia compensar as esperadas elevações dos preços dos
carros. Em 1º de janeiro deixou de existir o desconto de IPI sobre os veículos
que desde 2012 vinha sendo renovado pelo governo. No caso de um modelo popular
1.0,
Fonte: Automotive Business