Assentos aquecidos podem causar queimaduras graves


foto de divulgação

Área aquecida nos bancos (em vermelho). Botão pode ser acionado inadvertidamente

Um acessório muito comum em países frios, mas pouco conhecido no Brasil, está provocando preocupação nos Estados Unidos. Especialistas em tratamento de queimaduras e em segurança automotiva estão pedindo providências às autoridades para criar uma regulamentação para assentos dotados de sistema de aquecimento.
Queimaduras no traseiro podem parecer situações cômicas, mas há registros de inúmeros casos graves, a maioria envolvendo motoristas e passageiros com problemas de locomoção, que podem ter baixa sensibilidade ao calor.

Matéria publicada hoje no jornal USA Today relata que, muitas vezes, as vítimas não percebem que o sistema de aquecimento está ligado ou que estão sofrendo queimaduras antes que estas atinjam um grau elevado.

De acordo com um médico especialista no tratamento de queimaduras, pessoas que utilizam cadeiras de rodas podem levar meses para se recuperar dessas lesões e a pele atingida pode ficar prejudicada pelo resto de suas vidas.

Temperatura exagerada – Os sistemas de aquecimento dos bancos têm como objetivo aumentar o conforto dos ocupantes dos carros em regiões onde o frio é extremo, principalmente ao entrarem nos veículos pela manhã, antes que a calefação surta efeito.

Os médicos consideram que o sistema não deveria aquecer a mais de 40°C, mas há alguns que chegam a 71°C e são comuns os que atingem 49°C, temperaturas capazes de, em pouco tempo, causar queimaduras de terceiro grau.

Nos EUA, houve nove recalls de sistemas de aquecimento de assentos desde meados da década de 1980, todos provocados pela possibilidade da temperatura excessiva provocar incêndio. As autoridades, porém, não consideram defeito no sistema a possibilidade do aquecimento ultrapassar os limites tolerados pelos seres humanos. A reportagem informa que pelo menos cinco casos envolvendo queimaduras foram encerrados sem que houvesse recalls, sob alegação de que não houve risco de incêndio.

Preocupados com o assunto, os médicos gostariam que os sistemas de aquecimento pudessem ser desconectados, para evitar acidentes com pessoas que têm baixa sensibilidade ao calor e podem se queimar sem perceber. Eles querem que seja criado um limite de temperatura e que os sistemas funcionem por tempo limitado. Alguns fabricantes já utilizam timers com esse fim.

No Brasil, aquecedores de assentos só são encontrados em carros importados. O fato de não serem um acessório conhecido, porém, faz com que muitas vezes sejam ligados por descuido (os botões ficam no painel), provocando mal estar e até queda de pressão arterial nos usuários que, inadvertidamente, os acionam em pleno calor.

Fonte: Auto Estrada