Audi A1: testamos na pista o rival do Mini


Menor modelo da marca alemã chega ao Brasil e mostra que vai dar trabalho aos concorrentes

Hairton Ponciano Voz // Fotos: Fabio Aro

No Salão do Anhembi, apesar de seus modestos 3,95 metros, ele conseguiu se destacar em um estande que tinha estrelas tão brilhantes como R8 Spyder, A8 e RS5. Mesmo com a vizinhança de peso, chegar perto do menor automóvel da Audi durante os dias de exposição não foi uma tarefa das mais fáceis. Por isso, enquanto o A1 vermelho brilhava no Salão, fomos para a pista de testes com o pequeno hatch preto aí do lado, para ver se o menor Audi merece as argolas na grade frontal.

Com o A1, a Audi pretende invadir o território do Mini, mas com uma proposta, digamos, “filosófica” diferente: enquanto o modelo inglês tem estilo retro e retoma as linhas do Mini original, o alemão investiu no visual contemporâneo, mesmo caminho trilhado pelo Citroën DS3. Além disso, a Audi optou pela agressividade comercial: por R$ 89.900 (praticamente o mesmo preço de partida do Mini), o A1 oferece motor turbo, câmbio automatizado de sete marchas e faróis de xenônio, itens indisponíveis no Mini mais barato, que tem motor 1.6 aspirado, transmissão manual de cinco marchas e faróis convencionais.

A marca mais característica do Audi A1 é o arco que começa na coluna dianteira e vai até a traseira, e que pode ter cor diferente da carroceria, para criar uma espécie de personalização.

O visual nervoso e a ampla grade são os mesmos dos irmãos maiores.
O visual é típico de Audi. Os faróis têm o conhecido contorno de leds dos demais carros da montadora. Além disso, apesar do tamanho, o A1 tem aspecto tão enfezado como seus irmãos maiores. O visual mal-encarado aparece mesmo quando o carro é visto de traseira, porque as lanternas reproduzem o estilo nervoso da dianteira. De lado, a presença de portas apenas na dianteira também reforça o visual esportivo.

Assumo o volante e percebo que quase todos os equipamentos que costumo encontrar nos carros de Ingolstadt estão lá. O ar-condicionado não é digital, a regulagem de banco é manual, a carroceria e a suspensão não empregam alumínio (material de uso comum na marca), mas não se esqueça de que estamos falando de um Audi na faixa de R$ 90 mil.

O painel tem revestimento macio, exatamente como nos modelos mais caros. Os comandos de som estão no volante, e a posição de dirigir é tão boa como nos demais veículos da empresa. No centro do painel, um display mostra os comandos de som, ajustes do veículo, etc. Saio com o carro e no primeiro semáforo ele morre! Audi morre? Esse, sim. Como opcional, o A1 pode vir com o sistema start-stop, que desliga o motor quando o carro para, e religa assim que a gente solta o pedal de freio. É tudo automático e instantâneo, e o objetivo é obter economia com conforto.

O quadro de instrumentos tem dois grandes mostradores, que facilitam a visualização; as marchas podem ser mudadas no volante
Deixo para trás a cidade, pego a estrada e descubro que o motor 1.4 TFSI gosta de andar tanto quanto eu. O pequeno modelo de 1.125 kg ganha velocidade com facilidade, mesmo com o ar-condicionado ligado e a companhia do Luís Carlos Bouças. Instrutor-técnico da Audi, Bouças desempenhou função dupla durante nosso dia de testes com o A1. Uma foi me auxiliar com as informações sobre o carro: o cara conhece pelo nome cada parafuso do A1 (e de todos os outros veí-culos da marca, diga-se). A outra foi servir como lastro. Ele permitiu que eu descobrisse como o modelo se comporta na estrada com um passageiro de bem mais de 100 kg, ou de um passageiro que quase “vale por dois”, segundo sua própria definição.

Sem problema. Embora compacto, o motor 1.4 turbo de injeção direta gera 122 cavalos e tem torque de 20,4 kgfm a partir de 1.500 rpm. Isso significa que o motor responde bem aos comandos do condutor. Desenvolvido em conjunto pela Audi e VW, esse motor tem injeção direta, comando duplo, 16 válvulas e intercooler. Fazendo dobradinha com ele, há um eficiente câmbio de sete marchas e dupla embreagem.
Fonte: Auto Esporte