Automóvel ficará mais colorido e mais compacto

                                                                                          CLAUDIA ROLLI
TATIANA RESENDE
DE SÃO PAULO

O automóvel do futuro será menos preto, menos prata e menos cinza. Será mais econômico e mais compacto.

Até o final da década, carros elétricos e híbridos, com tecnologias que permitem maior economia de combustível e menos emissão de poluentes, também devem ganhar espaço nas vendas.

Mas os preços ainda elevados só poderão ser bancados por quem pode pagar mais para contribuir com a sustentabilidade do planeta.

A previsão é de fabricantes, engenheiros, designers e consultores que atuam no mercado automobilístico.

Ford, Fiat, Kia e GM são algumas das montadoras que escolheram, por exemplo, investir em tonalidades diferentes. Caso dos modelos Novo Fiesta, Novo Uno, Soul e Montana, respectivamente.

“Daqui a pouco o funeral nas ruas vai acabar”, diz Daniel Nosaki, supervisor de design da GM e professor na Escola Mauá de Engenharia, ao se referir à quantidade de carros pretos nas ruas.

Hoje, 7 em cada 10 veículos da frota brasileira ainda são prata, preto e cinza. Essa relação deve cair pela metade nos próximos 5 a 10 anos, na estimativa de parte dos fabricantes.

Cores consideradas mais ousadas, como amarelo citrus e verde box, ganham espaço. Vermelho e azul são as opções de 10% e 5% dos clientes, respectivamente.

Na Kia, há fila de espera pelo Picanto amarelo. “Depois de uma personagem da novela ´Passione´, da Globo, dirigir um modelo dessa cor, o carro virou febre”, diz José Gandini, presidente da montadora e da Abeiva (associação das marcas importadas sem fábrica no país).

DESIGN

Design é um fator que deve continuar sendo cada vez mais considerado na hora da compra –seja nas linhas externas, seja no espaço interno mais amplo, para trazer conforto ao consumidor.

Por isso, acertar o design apropriado para cada mercado é justamente o maior desafio das montadoras, avalia Cledorvino Belini, presidente da Anfavea (associação que reúne os fabricantes).

O consultor Marcelo Cioffi, sócio da PricewaterhouseCoopers, vai mais longe e acredita que o modelo de negócio que vai vencer é o “mais enxuto”.

“O grande desafio da indústria no futuro vai ser buscar a diferenciação atendendo o gosto dos consumidores com poucas plataformas de grandes volumes para baratear o custo”, diz.

Paulo Roberto Garbossa, professor do CEA (Centro de Estudos Automotivos), cita as inovações relacionadas à substituição de materiais para diminuir o peso e aumentar a eficiência do veículo.

O design também tem de estar associado a inovações tecnológicas, avalia Maurício Grecco, gerente de comunicação e marketing da Ford.

Caso do sistema MyFord Touch, apresentado no início de 2010, que substitui o console por uma tela.

“A tendência é que a conectividade se popularize e não se restrinja a carros mais caros”, diz.

Fonte: Folha Online