Autopeças estão na iminência de parar nos EUA, preveem analistas

Southfield, Michigan (EUA), 19 de Janeiro de 2009 – A General Motors e a Chrysler, que enfrentam um prazo do governo para provar que são viáveis, estão na iminência de ver seus esforços de recuperação ameaçados pelas quebras das fornecedoras, que podem interromper a produção de todo setor automotivo americano. Perto de 1.600 fabricantes de autopeças norte-americanas podem não ter caixa suficiente em meados do ano, disse Graig Fitzgerald, consultor de fornecimento da Plante & Moran, em Southfield, Michigan. Perto de 100 podem fechar, o que significará caos, ele disse.

“As montadoras estarão debilitadas nos próximos nove meses de uma forma que nunca estiveram antes”, disse Fitzgerald. “Elas terão de fazer malabarismos para lidar com as falências e as liquidações”.

Atormentadas pelas quedas nas vendas, a GM e a Chrysler estão na UTI depois de receberem compromissos para combinados US$ 17,4 bilhões em empréstimos, com a GM recebendo US$ 13,4 bilhões. As montadoras devem convencer o Congresso antes de 31 de março de que podem tomar as medidas necessárias para serem viáveis.

As aflições das fabrivantes de autopeças podem em breve complicar esses planos. “Veremos uma série de quebras por do o setor de fornecimento e creio que nos próximos dois meses”, disse Donald Walker, presidente da Magna International, com sede em Aurora, Ontario e maior da América do Norte, aos investidores uma conferência realizada em conjunção com o Salão Internacional Norte-Americano de Detroit da semana passada.

As fornecedoras estão cambalenando depois que as vendas americanas de automóveis registraram o menor nível em 16 anos no ano passado, forçando as montadoras a cortar a produção em 23% no quarto trimestre. Pelo menos seis fabricantes entraram com pedido de concordata no ano passado.

As montadoras informam que estão monitorando de perto as fornecedoras para tentar derterminar quais podem quebrar e quando. A GM, que usa perto de 1.300 fornecedoras diretas nos EUA, está canalisando mais negócios para as empresas financeiramente estáveis, disse o diretor de operações, Fritz Henderson.

“O que temos de fazer é tentar concentrar nossos negócios com talvez menos fornecedoras, o que significa que algumas fornecedoras terão de fechar”, disse Henderson. Ele não citou nenhuma empresa.

Mark Fields, presidente da Ford Motor para as Américas, disse aos investidores em Detroit, na semana passada, que a empresa tentará evitar interrupções. “É muito importante manter nossas fábricas em operação”, ele disse. Diferentemente da GM e da Chrysler, a Ford não procurou ajuda do governo.

O presiente da Chrysler, Robert Nardelli, disse ao Congresso em novembro que as três montadoras têm contratos com as mesmas provedoras, na Chrysler, 96 das 100 maiores fornecedoras são as mesmas que fornecem para a Ford e a GM, ele disse.

Enquanto as montadoras americanas provavelmente serão as mais afetadas pelas quebras das fornecedoras, as empresas multinacionais, como a Toyota Motor e a Honda Motor também serão prejudicadas, disse Kimberly Rodriguez, diretor da consultora Grant Thornton.(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 1)(Bloomberg News)

Fonte: Gazeta Mercantil