Avanço da carga tributária supera a produção de riqueza

Rogerio Amato-Presidente da ACSP e Fascesp   ´O crescimento do PIB em 2011 é fruto de aumento de 2,5% na produção física e de alta de 4,3% nos impostos sobre os produtos´, disse Rogério Amato, presidente da ACSP e Facesp. – Paulo Pampolin/Hype.

O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rogério Amato, avaliou ontem que os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a carga tributária no País cresceu acima do Produto Interno Bruto (PIB). “O crescimento do PIB brasileiro de 2,7% em 2011 é fruto de aumento de 2,5% na produção física e de uma alta de 4,3% nos impostos sobre os produtos. Esse crescimento a mais da carga tributária reflete, basicamente, o aumento do consumo das famílias, que foi de 4,1%, e das importações, que cresceram 9,7%, inibindo o crescimento da indústria nacional”, disse Amato.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou que o resultado do PIB de 2011 não chegou a surpreender por conta do fraco desempenho da indústria no ano passado. A entidade alega que a história do País mostra que os baixos desempenhos do PIB são acompanhados por crescimentos pequenos na indústria. Com base nessa constatação e a previsão de continuidade do pouco dinamismo da indústria de transformação, a Fiesp afirma que o crescimento da economia em 2012 não chegará a 3%.
Segundo a nota, o País apresentou em 2011 um crescimento abaixo da expectativa de avanço da economia mundial, de 3,8%, apesar de a crise internacional não ter contagiado diretamente o Brasil. “Portanto, o fraco desempenho do PIB não decorre da crise mundial, mas sim da adoção de uma equivocada política monetária no primeiro semestre de 2011”, diz o texto assinado pelo o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Para a entidade, a indústria é prejudicada por câmbio e juros elevados, alta carga tributária, custo de energia e spreads “maiores do mundo”, além de infraestrutura precária e invasão de produtos importados. “No ano passado, nosso déficit na balança de manufaturas foi de US$ 93 bilhões, um absurdo.”
Pibinho – Para a Força Sindical, o crescimento de 2,7% do PIB no é um desfecho “pífio”, “resultado da equivocada política econômica do governo”. Em nota, a Força Sindical inclusive classificou o resultado como “pibinho” e destacou que é um número “decepcionante para toda a economia brasileira”.
“Como podemos alavancar a economia sendo campeões mundiais em taxa de juros e praticando uma nefasta política de incentivo às importações e à desindustrialização?”, questiona a Força Sindical. Para a entidade, os números devem “servir de alerta para o governo”.
A nota é assinada pelo deputado Pereira da Silva (PDT-SP), o “Paulinho da Força”, que é presidente da entidade. O texto alerta para a necessidade de a política econômica abrir espaço para o crescimento. Para isso, a Força Sindical defende queda “drástica” nos juros, fortalecimento do mercado interno, expansão do emprego, distribuição de renda e fortalecimento dos investimentos em infraestrutura e nas políticas sociais.
A Força Sindical lamenta “os riscos devastadores da desindustrialização e do crescimento desenfreado das importações”. Para a entidade, a “insensibilidade de setores do governo”, mantendo o câmbio valorizado, está promovendo uma enxurrada de importados e causando desemprego

Fonte: Diário do Comércio