Bentley Continental Supersports: o relâmpago branco

Cupê mais potente da história da marca atinge 328 km/h

Angus MacKenzie, Motor Trend/New York Times Syndicate

Ettore Bugatti fazia os caminhões mais rápidos da Europa. Mas seus pequenos e delicados carros de corrida eram sempre ultrapassados pelos Bentleys, verdes e gigantes, rasgando as retas do circuito de Le Mans no fim dos anos 20. Ele sempre reconheceu que os Bentleys eram maiores e pesados. E certamente mais rápidos. Depois de mais de 80 anos, algo mudou. Os 621 cavalos do cupê Continental Supersports são rápidos, mas nem tão pesados quanto costumavam ser. O carro é o mais rápido da história da marca inglesa. Nas mãos do engenheiro-chefe, Ulrich Eichhorn, acelera de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos e atinge 328 km/h. Um choque cultural para a Bentley, um carro que pesa “apenas” 2.240 kg.

E ainda tem mais: um Bentley movido pela mesma mistura de álcool e gasolina que um utilitário esportivo da GM, a E85 (85% de álcool e 15% de gasolina). Ok, o carro também é o primeiro da marca movido por biocombustível. Então são três tabus quebrados de uma vez? Bem, depende de como você encara as moléculas de carbono, porque podem ser quatro. Sim Eichhorn também explica que o Supersports é 95% reciclável . “Isso também não acontecia com os Bentleys, sorri ele. “A maioria dos nossos carros termina em museus, não em recicladores”.

Na traseira, saídas de escape e pára-choques foram desenhados especialmente para essa versão

O Supersports é um carro que surpreende e gera desafios. O gerente de validação da Bentley, Paul Edwards descobriu como reduzir em 136 kg o peso do cupê em relação à versão GT Speed. Ao mesmo tempo, engenheiros responsáveis pela estrutura e conjunto mecânico, como Brian Gush, encontrou uma forma de aumentar a pressão do turbo e melhorar a refrigeração do intercooler para extrair mais 48 cavalos do motor de doze cilindros. O time liderado por Gush também enfrentou o desafio de tornar o câmbio ZF 6HP26, de seis marchas, ainda mais rápido.

Mas havia um desafio maior: como fazer um Bentley parecer ecologicamente correto. Com os limites de emissões de poluentes cada vez mais rigorosos, os carros da marca inglesa tornaram-se símbolos de exagero. Então, o uso de biocombustível acabou sendo a melhor solução. E as mudanças pelas quais o motor teve que passar para aceitar álcool não foram tantas. O W12 6.0 ganhou novas válvulas, injetores, além de uma boa recalibragem. O resultado: 621 cv e 81,5 kgfm de torque. Quanto ao câmbio, a rapidez é tanta que, apesar do gerenciamento do motor cortar a ignição nas trocas de marcha para evitar excesso de torque desperdiçado, a caixa ainda mantém a aceleração. Além disso, permite ganhar velocidade, mesmo perto da faixa vermelha do contagiros.

Combinação de cores fica de acordo com o gosto do freguês. E para reduzir peso, não há bancos de trás.

A suspensão é outra prova da evolução do Superesport em relação ao GT Speed. As mudanças incluem nova barra estabilizadora e buchas mais resistentes. Para aproveitar ao máximo a divisão da tração entre os eixos em 40% na frente e 60% atrás, a bitola traseira foi aumentada em duas polegadas. E os freios de fibra de carbono e cerâmica passaram a ser de série, em conjunto das rodas de aro 20”, mais leves do que nunca. Assim, o carro virou páreo para superesportivos, como Ferrari 599 GTB. O controle de estabilidade também foi modificado, de maneira que passa a intervir apenas quando mais de 90% do curso do pedal do acelerador estiver sendo usado. Então, você pode se divertir um pouco nas curvas sem interferência da eletrônica.

O visual conta com detalhes exclusivos, como as saídas de ar no capô e as entradas laterais embutidas no pára-choque dianteiro. Atrás, as saídas de escapamento vêm com desenho feito especialmente para essa versão, assim como o próprio pára-choque. Por dentro, os bancos do tipo concha com cintos de quatro pontos existem apenas nessa versão Supersports. Nos bancos de trás sumiram, dando lugar a estruturas de fibra de carbono. Isso acabou reduzindo
Fonte: Auto Esporte