BMW X6M: mistura explosiva


Como anda o utilitário esportivo com jeito de cupê e 555 cavalos

Karl Funke, DA MOTOR TREND/NEW YORK SYNDICATE

BMW X6M: o primeiro da linha M com tração integral, chega ao Brasil no início do ano que vem
Parece que temos um problema sério em mãos. Os cientistas nos dizem que as emissões de carbono dominaram a atmosfera e que as temperaturas globais estão subindo. Tempestades devastadoras atacam regiões costeiras despreparadas com uma ferocidade alarmante. O Meio-Oeste Americano permanecerá congelado mesmo depois das calotas polares derreterem e os mares subirem.

A causa dessa calamidade? Aparentemente, tem gente se divertindo demais ao volante. Condenados estão, dizem alguns, os dias dos V8 de 500 cavalos; daqui em diante, as agências ambientais nos relegarão a dirigir carroças elétricas de 80 cv para que as flores possam se abrir na primavera.

A BMW certamente não foi comunicada disso. A divisão de alto desempenho da empresa acaba de lançar dois novos carros da linha M, cada um equipado com motores V8 turbinados de 558 cv. E ambos são SUVs, veículos utilitários esportivos. (ou, no jargão da BMW, SAVs, veículos de atividade esportiva.) Engulam essa, americanos. E nós, aqui no Brasil, podemos nos preparar, já que o X6M chega no início do ano que vem, junto com o pequeno X1.

Se o X6 já tem apelo esportivo, essa versão M é quase um modelo de competição
O X5M ao menos demorou para sair, já que a plataforma existe desde 1999. E, tecnicamente falando, os dois veículos são praticamente idênticos nos números. O X6M eliminou um banco na traseira, é uns dois centímetros mais longo e pouco mais de um centímetro mais estreito, e abre mão de uns 4,5 cm na altura para ter o perfil de um cupê. Todo o resto é idêntico – bitola na frente e atrás, entre-eixos, potência e desempenho, até mesmo o peso.

Os dois carros saem de fábrica com o mesmo equipamento. Abrindo a lista vem o motor M, o novo V8 biturbo neste caso. Este conceito não é inédito, tanto o X6 original quanto o último Série 7 o estrearam no ano passado. Já esta versão, chamada M TwinPower Turbo, passou pela bancada da M Technik. E isso, obviamente, significa mais potência. Ele utiliza a tecnologia Twin Scroll Twin Turbo juntamente com um coletor de exaustão que serve às duas fileiras de cilindros, o que foi conseguido ao colocar os turbos e os catalisadores no meio do V do motor. Isso serve para encurtar os canos e coletores e aumentar a área de contato para elevar a eficiência do sistema de indução forçada.

A potência máxima é 563 cv no dinamômetro, ou 555 cv líquidos. Mais impressionante é a curva de torque, que é mais um platô que uma curva: 69 mkgf, com um pico que vai de 1.500 a 5.650 rpm. E, brincadeiras à parte, ele não é tão brutalmente ineficiente como parece, obedecendo ao padrão de emissões europeu e exibindo um consumo combinado de cerca de 8,5 km/l. Além de inaugurar o turbo na linha M, esses modelos têm outros ineditismos: eles são os primeiros M com tração integral, assim como os primeiros equipados com uma transmissão realmente automática. Chamada M Sports Automatic, ela oferece três modos de trocas: D, S e M, o último o obrigando a trocar, sozinho, as marchas. No modo totalmente manual, ela usa uma função redutora de torque onde cilindros são desligados individualmente cancelando a injeção de combustível e ignição para se obter trocas mais curtas e satisfatórias.

A seleção de marchas ocorre por meio da alavanca central do câmbio ou nas borboletas de alumínio atrás do volante. O modo M também permite acessar a função de controle de largada. Pressionando o pedal do freio e levando as rotações até 60% do mostrado, o sistema se arma. Quando o freio é liberado, o SAV acelera com força total; a transmissão troca as marchas automaticamente nas rotações ideais, com os melhores tempos de trocas possíveis controle de patinação das rodas.

A parte movimentada do nosso teste aconteceu no autódromo Road Atlanta. Pilotando essa fera por aquelas curvas de alta velocidade, eu logo desisti
Fonte: Auto Esporte