Caminhões devem buscar alternativas de financiamento

 MA8 propõe que empresas criem independência ao Finame PSI do BNDESREDAÇÃO ABCom a nova realidade da economia brasileira, o setor de caminhões deverá criar alternativas de novos modelos de negócio que não dependam de linhas de financiamentos como o Finame PSI do BNDES. O alerta é da MA8 Consulting, especializada na indústria automotiva que elaborou novo estudo de projeções para o segmento de veículos pesados, incluindo caminhões e ônibus, e para o setor de máquinas e equipamentos agrícolas e de construção. O estudo classifica as linhas de crédito e financiamentos como ferramentas entre os elementos de incentivos às vendas do setor, mas alerta para a necessidade de desenvolver em caráter urgente novos mecanismos para sustentar os negócios. “A tendência para os próximos anos é que o BNDES deixe de ser um banco que subsidie este setor e passe a se dedicar ainda mais ao desenvolvimento da agroindústria e equipamentos de construção e mineração”, diz Orlando Merluzzi, presidente da MA8 Consulting. Segundo o executivo, a agroindústria e a produção de commodities continuará sendo o porto seguro da economia e seguirão respondendo por mais de 50% das exportações brasileiras ainda por um longo prazo. “A safra anual continuará quebrando recordes e deve atingir 250 milhões de toneladas nos próximos 10 anos, sem a mesma expansão em área cultivada, o que significa que o agronegócio demandará mais tecnologia, máquinas e implementos agrícolas e necessitará de uma política exclusiva de financiamento e fomento”, analisa Merluzzi. Segundo ele, o segmento comandará a retomada do setor automotivo e será o principal responsável pela retomada de vendas de caminhões pesados para a safra 2016/2017. Contudo, a questão do financiamento local ainda será um entrave para atender a demanda. Ele sugere a procura por financiamentos externos. “Bancos chineses são uma ótima opção, uma vez que a agroindústria brasileira interessa muito à China, que já começou a investir no agronegócio brasileiro”. PROJEÇÕES A consultoria projeta retomada das vendas só a partir de 2017, mas conclui que algumas empresas terão dificuldades para reagir devido ao enfraquecimento de suas redes de distribuidores e concessionários durante o período de retração. O setor de máquinas e implementos agrícolas será o primeiro a se recuperar já a partir de 2016 e poderá repetir os bons volumes de anos recentes até o final desta década. Já para caminhões e máquinas de construção, o consultor estima que demandarão um pouco mais de tempo para se recuperar, mas com tendência de crescimento contínuo e moderado para os próximos anos. “Nossa projeção mais otimista para máquinas e equipamentos de construção indica que o volume anual de vendas, ao final desta década, deve representar 50% de crescimento em relação ao ano de 2015. Isso resultaria em volumes ainda bem abaixo do mercado que vivemos entre 2011 e 2013. Mesmo assim, projetamos um cenário positivo para todos esses setores”, complementa. Também deve haver um processo de consolidação, fusão e aquisições no setor de distribuição de veículos no País. Até o fim desta década, 40% das redes de concessionárias no Brasil terão participado de algum tipo de reestruturação e redefinição em seus modelos de negócio e governança corporativa. Contudo, Merluzzi alerta para que as concessionárias e distribuidores concentrem recursos nas atividades de pós-venda. “As redes de distribuição terão que sobreviver com a venda de peças e serviços, uma vez que as vendas de veículos e máquinas estão retraídas. As estratégias de atendimento ao parque circulante existente precisam ser muito bem planejadas. É no pós-venda que residirá a sobrevivência das redes de concessionárias e distribuição, nos próximos anos.”
Fonte: Automotive Business