Captiva 4×2 chega ao Brasil para concorrer com seu conterrâneo CR-V

FABIANO SEVERO
da Folha de S.Paulo

As montadoras sempre proferiram que o mercado brasileiro nunca gostou dos carros americanos. Por anos, aqui só chegaram os europeus –racionais, menores e econômicos.

Só que o sucesso de vendas do Hyundai Tucson mostrou que o brasileiro também é fã de utilitários grandes e caros. Os emplacamentos desses jipões cresceram 50% em 2008, e agora todo mundo quer tirar uma casquinha desse bolo.

A Nissan importava o X-Trail do Japão a conta-gotas e, há um mês, trouxe a nova geração.

A Honda também já vendia aqui seu CR-V japonês, mas, desde março, passou a produzi-lo no México e a trazê-lo sem Imposto de Importação.

De lá também vem o recém-lançado Chevrolet Captiva, que agora encara os outros dois rivais no teste Folha-Mauá -a Hyundai não disponibilizou um Tucson para teste.

São todos utilitários esportivos derivados de sedãs e concorrentes declarados, mas o Captiva, o CR-V e o X-Trail têm personalidades diferentes.

Os de origem japonesa são equilibrados e usam motores 2.0 de quatro cilindros em linha. O da Honda gera 150 cv (cavalos), e o da Nissan, 138 cv.

Esse X-Trail, porém, é o mais leve -1.513 kg contra 1.606 kg do CR-V e 1.850 kg do Captiva- e tem o câmbio mais eficiente. É o único CVT (continuamente variável) dos três e faz o Nissan ter desempenho bem próximo ao do Honda.

Manter a rotação baixa é outra vantagem do CVT em relação aos câmbios automáticos de cinco marchas (CR-V) e de seis marchas (Captiva). Isso faz do Nissan o mais econômico, com média de quase 14 km/l na estrada, segundo o Instituto Mauá de Tecnologia.

V6

Já o Chevrolet apela para seis cilindros em “V” e 261 cv, herdados do sedã Omega. De longe, é o mais rápido e prazeroso de acelerar, apesar de cobrar o preço no bolso -na cidade, amarga 5,8 km/l de gasolina.

Além disso, a suspensão do Captiva não faz jus ao sobrenome Sport. É macia demais para um utilitário que, por si só, já é mais alto que um sedã e tem a estabilidade piorada.

Todos, porém, lançam mão da tração integral nas quatro rodas, que melhora a aderência em curvas. No X-Trail, a tração pode ser acionada por um botão no console. Ele permite também bloquear o diferencial central e distribuir o torque (força) igualmente entre os eixos dianteiro e traseiro.

No Captiva e no CR-V, a tração 4×4 é opcional e custa caro. E Honda e Nissan nem têm ESP (controle de estabilidade), presente só no Chevrolet.

Mas o preço é o que faz do Captiva o melhor deles. Se esperar a fila de 60 dias, poderá comprá-lo por R$ 92.990 (4×2) -o 4×4 custa R$ 7.000 a mais.

O Honda varia de R$ 94,5 mil (4×2) a R$ 110 mil (4×4), e o Nissan pode ser encontrado por R$ 89.990 (só 4×4), R$ 10 mil acima do líder Tucson.

Fonte: Folha Online