Carlos Ghosn diz que montadoras devem agir com “prudência”

da Lusa, de Lisboa

O presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, disse nesta quarta-feira que as montadoras européias devem agir com “prudência” diante da atual conjuntura internacional.

“Não sei se o petróleo vai subir ou descer. Não sei se a crise financeira vai melhorar. Os produtores têm que ser prudentes”, afirmou Ghosn.

As declarações do presidente da Renault-Nissan foram feitas no dia em que foi assinado um protocolo entre a montadora e o governo de Portugal para a comercialização em larga escala de veículos elétricos no país.

Carlos Ghosn considera que esta “prudência” não deve ser encarada como uma dúvida, mas sim como “um sinal real” para a indústria européia.

Vendas

A Renault baixou sua previsão de vendas para 2008 depois de os resultados do primeiro semestre do ano terem ficado abaixo das expectativas. O grupo francês vendeu 1,33 milhão de veículos leves na primeira metade do ano, 4,3% a mais do que no primeiro semestre de 2007.

Em comunicado, a Renault anunciou que espera agora um aumento entre 5% e 10% nas vendas para 2008, em vez dos 10% anunciados anteriormente. A empresa afirma que o crescimento no segundo semestre ´dependerá, em grande parte, dos desenvolvimentos econômicos e financeiros, ainda muito incertos´.

Carros elétricos

O governo português e a Renault-Nissan assinaram hoje um memorando de entendimento que prevê a comercialização em larga escala, a partir de 2010, de modelos de carros elétricos.

Durante a cerimônia de assinatura, em Lisboa, o primeiro-ministro português, José Sócrates, declarou que Portugal “pretende ser um laboratório dos futuros carros elétricos” e demonstrou abertura a receber investimentos neste campo por parte de outras montadoras.

Explicando as obrigações do governo em relação ao protocolo assinado, Sócrates disse que competirá ao Estado “proporcionar as condições para que o consumidor de um veículo elétrico não tenha nenhuma desvantagem em preços ou mobilidade” em relação aos donos de carros comuns.

Assim, o governo português vai estudar um modelo fiscal que permita aos consumidores dos futuros carros elétricos pagar menos de 30% do atual imposto sobre os automóveis.

“Se um carro elétrico já existisse atualmente, pagaria apenas 30% do imposto automotivo, já que este imposto tem, em 70%, uma componente ambiental. O governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente”, disse o premiê.

Além de vantagens no preço, Sócrates declarou que caberá ao Executivo criar uma rede de infra-estruturas que permita ao consumidor abastecer, sem dificuldades, seu carro elétrico.

Fonte: Folha Online