Carros de luxo ganham espaço, e marcas prometem 2010 cheio de novidades


CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros

No ano da agudização da crise financeira mundial, e de sua posterior e custosa superação — pelo menos aparente –, houve um segmento do mercado de automóveis do Brasil que não sofreu sequer um arranhão. Pelo contrário: vive um momento de expansão e prevê que 2010 será melhor ainda. São os carros de luxo, representados no país primordialmente pela trinca de marcas “premium” alemãs formada por Audi, BMW e Mercedes-Benz (em ordem alfabética).

Todos os carros dessas três fabricantes chegam ao Brasil importados de países sem acordo tarifário favorável, o que vale dizer que pagam imposto de 35%. A exceção de origem é o cupê CLC, que a Mercedes faz em Juiz de Fora (MG) — mas mesmo esse carro, como todos os outros oferecidos pelas alemãs, tem seu preço em reais expresso em seis dígitos (no caso, R$ 131 mil). Há apenas três modelos mais baratos, mas que ainda assim custam mais de R$ 90 mil: Mercedes Classe B, BMW 118 e Audi A3 (com motor 1.6).
Vale notar que outras marcas de alta qualidade também surfam no bom momento da economia brasileira: a sueca Volvo, por exemplo, este ano bateu seu recorde de vendas no país (2.034 carros até o final de novembro). Além disso, aumentou, e muito, o burburinho causado por importadores que colocam em suas vitrines bólidos com preços que frequentemente ultrapassam o milhão de reais. É verdade que esses não são exatamente carros de luxo, e sim de performance, ostentando distintivos de marcas como Porsche, Ferrari, Lamborghini e Maserati, além de extravagâncias como Lotus, Spyker e Pagani. Mas, como no Brasil parece haver um consenso de que luxo é dinheiro e dinheiro é luxo, o sucesso de tais modelos é outro sinal do vigor do segmento de alta renda por aqui.

NÚMEROS MÁGICOS
Alguns números servem para ilustrar o crescimento local dos produtos automotivos premium e de luxo, especialmente na comparação com o mercado em geral. Um bom ponto de partida é 2007, que cravou o atual recorde anual na venda de veículos por aqui — mais de 4,25 milhões de unidades emplacadas, segundo a Fenabrave, que reúne as concessionárias de todo o país.
Naqueles 12 meses, a Audi vendeu magras 370 unidades do A4; a Mercedes emplacou 972 unidades do Classe C; e a BMW conseguiu vender 1.100 unidades do Série 3. Os três modelos são os menores sedãs de cada marca, de porte equivalente aos campeões de vendas Honda Civic e Toyota Corolla.

Dois anos depois, 2009 ainda nem terminou (os números vão até o final de novembro) e o desempenho desses três carros nas lojas já fala por si. O A4 foi para a garagem de 630 novos donos (um crescimento de 70%); o Classe C vendeu 1.588 unidades (mais 63,3%); e o Série 3 emplacou 1.916 carros (mais 74,2%). Não custa lembrar que, em relação a 2007, a Fenabrave projeta para os 12 meses de 2009 um aumento bem menor, de cerca de 10%, nas vendas totais de veículos.

Falando em termos mais gerais, a Mercedes-Benz anunciou que, entre janeiro e novembro, emplacou 47% mais carros do que no mesmo período de 2008. Já a Audi projeta um crescimento de até 48% no ano cheio, e a BMW anunciou alta de 76% em suas vendas locais até novembro — mês em que, isoladamente, a marca bávara cresceu inacreditáveis 318%. Segundo a Fenabrave, citando dados do Renavam, até o final de novembro a Mercedes havia emplacado 8.950 carros, a BMW, 4.594, e a Audi, 1.798.

NOVIDADES NÃO FALTAM
Não são apenas as vendas em ascensão que mostram o vigor do mercado premium no Brasil. Um outro indicativo disso é a rapidez com que os novos modelos desembarcam por aqui, às vezes poucos meses depois de apresentados no exterior. O novo Mercedes Classe E, por exemplo, teve lançamento mundial no Salão de Detroit, em janeiro último, e chegou às ruas brasileiras em junho. O fato de as marcas de luxo trabalharem com importação facilita essa atualização do portfólio — mas é evidente que, se não houvesse demanda, não haveria tanta agilidade.

Também é significativa a quantidade de lançamentos. Dezembro geralmente é um mês fraco nesse quesito, mas a
Fonte: UOL Carros