Carros turbinados vão superar os pesados em breve

 Up! inaugurou a safra de motores flex brasileiros com turboalimentação
PAULO RICARDO BRAGA, AB
Enquanto a indústria de turbos no mercado brasileiro tem hoje quase todo seu faturamento centrado no fornecimento para veículos pesados, a situação vai se inverter rapidamente em favor dos carros turbinados. “Os volumes exigidos pelos veículos de passeio serão bastante expressivos”, antecipa Vitor Maiellaro, gerente-geral da divisão de turbos da BorgWarner Brasil, assegurando que muito em breve o faturamento para os dois segmentos será equivalente e, logo a seguir, as vendas de turboalimentadores leves vai explodir. O tempo de maturação de um projeto de turboalimentação para automóveis é da ordem de 24 meses, contados a partir da cotação. A BorgWarner foi escolhida para equipar o sistema de turboalimentação do motor 1.0 EA 211 do Volkswagen Up! TSI, o primeiro veículo turbinado fabricado no Brasil após mais de 15 anos. Grande parte das montadoras locais planeja seguir o mesmo caminho e está fazendo cotações para o suprimento de turbos, motivadas por atingir as metas de eficiência energética do Inovar-Auto. Maiellaro lembra que até 2017, para evitar multas, as fabricantes terão que comprovar os níveis de desempenho mínimos exigidos pelo programa para a habilitação de seus powertrains – um consumo médio equivalente a 1,82 MJ/km. Esse resultado terá de ser ainda melhor para que as montadoras obtenham um desconto extra de um ou dois pontos percentuais no IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. PESADOS EM BAIXASe as perspectivas para fornecimento a automóveis são promissoras, ocorre exatamente o contrário no setor de veículos comerciais pesados. Seis anos será o prazo para a recuperação do mercado de caminhões aos níveis de 2013, segundo estima Maiellaro. A BorgWarner Brasil é diretamente afetada pelo recuo no segmento. “Andamos no ritmo da indústria de caminhões, ônibus e vans”, explica, projetando a venda de 220 mil turbos este ano foram 280 mil em 2014 e 330 mil em 2013, dos quais cerca de 30% serão destinados ao aftermarket equipamentos novos ou remanufaturados, além de kits de reparo e outros 20% às exportações para Europa, Estados Unidos e América Latina. O mercado de reposição manteve o fôlego em relação a 2014, mas as vendas externas não avançaram, apesar do câmbio favorável. SEGMENTOSDas seis divisões globais da BorgWarner, cinco estão presentes no Brasil, três delas na fábrica de Itatiba SP: Turbos, Morse Systems correntes de sincronismo para o motor e Thermal embreagens viscosas. A unidade Emission, com linha de termostatos da Wahler, recentemente adquirida, fica em Piracicaba SP, e a Tork Transfer motores de partida da Remy, também incorporada pela BorgWarner, de Brusque SC. A sexta divisão, sem produção local, é a Transmission.
Fonte: Automotive Business