Chery e Fiat contam experiências de Inovar-Auto na prática

Nova legislação muda rumo e cultura da indústria nacional

SUELI REIS, AB

Aliviado por finalmente anunciar a inauguração da fábrica da Chery no Brasil, marcada para o dia 28 deste mês, Luis Curi, presidente da marca chinesa no País, aproveita sua participação no Simea 2014, simpósio da engenharia automotiva realizado pela AEA, para reforçar a continuidade dos planos da montadora, que apoiados pelo Inovar-Auto, não param na fabricação local de veículos. Durante o segundo e último dia do evento, Curi lembrou da trajetória da empresa, que iniciou suas atividades por aqui em 2009, com a importação de veículos, e que agora, com a fábrica pronta, dedica-se a novos capítulos, como a retomada do plano de implantação do centro de pesquisa e desenvolvimento, que assim como a unidade de veículos em Jacareí SP, será o primeiro fora da China.

“A princípio, quando nos habilitamos no fim de 2012, a ideia era ter o centro de P&D, o que foi postergado pela matriz, para dar prioridade aos investimentos da fábrica de motores e transmissão. Com essa primeira etapa definida – a fábrica de veículos está aí e a de motores já anunciamos que também será erguida em Jacareí – temos condições de partir para o segundo passo: de também ter aqui no Brasil um centro de pesquisa e desenvolvimento, com o objetivo de ter um veículo Chery pensado para o consumidor brasileiro. Já conversamos com alguns polos tecnológicos e o projeto está em curso. Talvez, tenhamos algo definido para 2015 ou 2016”, disse Curi durante o painel O Programa Inovar-Auto na prática.

O executivo afirma que o futuro laboratório, ainda sem local definido, será a oportunidade de implantar todas as melhorias essenciais para que o veículo da marca seja adequado à realidade das exigências do mercado brasileiro:

“Sabemos do estigma que ainda traz um carro de origem chinesa: vamos quebrar este paradigma. Na China, 80% dos engenheiros são dedicados aos modelos para o mercado chinês, embora exporte para cerca de 80 países no mundo, o que impede de desenvolver melhorias voltadas apenas para o carro brasileiro. No Brasil, nossa equipe de engenharia está crescendo e o Inovar-Auto dá esse suporte, esse incentivo e certifica que vale a pena investir em um centro de P&D aqui”, justifica.

Segundo Curi, a Chery iniciará a produção brasileira com 50% de índice de nacionalização e que a unidade contará com mais de 95% de funcionários de nacionalidade brasileira. Ele conta que há um ano, iniciou com apoio do Sindipeças a inscrição de fornecedores brasileiros, sendo 80 homologados, embora isso não signifique que todos eles serão fornecedores. “As empresas chinesas ganharam prioridade porque já estavam cadastradas para isso. Atualmente, contamos com algo como 10 fornecedores e nossa meta é atingir os 80% de nacionalização, até porque já iniciamos o processo de desenvolvimentos dos fornecedores do segundo projeto da fábrica de Jacareí, o S15, também conhecido como o novo QQ.”

OPORTUNIDADES

O Inovar-Auto proporciona um novo horizonte para a indústria brasileira de veículos. A exemplo da Chery, que por causa da nova legislação mudou grande parte de seus planos originais com sua vinda para o Brasil, a Fiat, consolidada no País há quase 40 anos, também iniciou um intenso trabalho de estudo e processo de implantação de medidas que visam o cumprimento das normas existentes na nova lei, conforme relata Gilmar Laignier, gerente de desenvolvimento de negócios da Fiat no Brasil que participou do mesmo painel. Ele também é responsável pelo departamento criado pela montadora para tratar exclusivamente de Inovar-Auto.

“Acredito que não só dentro da Fiat, mas para toda a empresa que se habilita, o Inovar-Auto dá a oportunidade de repensar processos; amplia as avaliações e estimula as pessoas a criar e produzir de forma mais intelectual, convidando a usar a criatividade, oferecer novas soluções e a sair de esquemas q
Fonte: Automotive Business