China na ponta da balança


O país asiático se tornou o maior parceiro comercial do Brasil no ano passado, suplantando os Estados Unidos, que tinham esse posto desde 1930.

Patrícia Büll

Depois de 79 anos como o principal parceiro comercial brasileiro, os Estados Unidos perderam o posto para a China. Em 2009, a corrente do comércio (soma das exportações e importações) Brasil-China somou US$ 36,1 bilhões, enquanto a de Brasil-Estados Unidos ficou em US$ 35,9 bilhões. Foi quase um empate técnico, mas o suficiente para desbancar os Estados Unidos do topo do ranking, lugar que ocupava desde 1930, quando destronou a Inglaterra do pódio do comércio mundial. Para o advogado especialista em direito internacional, Eduardo Felipe Matias, sócio da L.O. Baptista Advogados, essa mudança de posições deverá permanecer, ainda, ao longo de 2010, devido ao ritmo do crescimento chinês. Mas ele acredita que, no médio prazo, os Estados Unidos retomarão o posto.

“Essa mudança de posições ocorreu principalmente como reflexo da crise mundial, que atingiu mais fortemente os Estados Unidos do que a China, que manteve o ritmo de crescimento no ano passado”, afirma Matias. Segundo ele, a retração da demanda americana – não apenas por produtos brasileiros, mas de todos os seus parceiros comerciais – já era esperada. Portanto, mais do que a expansão das compras chinesas, que alcançaram crescimento de 23% no ano passado, foi a queda de 42% das exportações para os Estados Unidos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que propiciou a mudança de posição entre os dois países.

Evandro Monteiro/ Hype
A mudança ocorreu principalmente como reflexo da crise mundial, que atingiu mais fortemente os Estados Unidos.Alteração – A mesma opinião é compartilhada por Gabriel Rico, CEO da Câmara Americana de Comércio (Amcham), que credita à crise americana o tombo das exportações brasileiras para aquele país. Otimista, ele acredita, entretanto, que já em 2010 as exportações voltem a crescer, com base na recuperação prevista dos americanos. “A economia americana encolheu 2,7% no ano passado, mas a expectativa é de que cresça 1,5% neste ano, o que trará reflexos imediatos para a balança comercial entre os dois países”, afirma. Ele lembra ainda que a queda das importações brasileiras de produtos oriundos dos EUA, de 21% no ano passado em relação ao anterior, influenciou na queda da corrente de comércio entre os dois países.

Para o secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Rodrigo Tavares Maciel, a crise só antecipou uma um cenário que era previsto para ocorrer entre 2011 e 2012. “O ritmo de crescimento do comércio bilateral já apontava que a China se tornaria a principal parceira comercial brasileira até 2012. A crise, que atingiu muito fortemente os Estados Unidos, só antecipou essa mudança.”

Indústria – Para ele, essa posição deverá ser mantida ainda neste ano, porque o comércio bilateral deverá ser maior do que foi no ano passado, com a retomada das importações brasileiras, que caíram 22% no total em 2009. “A indústria brasileira é responsável por 75% das importações chinesas para o País. Por causa da desaceleração da produção industrial, elas caíram quase 20% no ano passado. Como, para este ano, a expectativa é de recuperação, a indústria deverá voltar a importar máquinas e equipamentos, ajudando no aumento da corrente de comércio.”

Essa expectativa é confirmada por estudo da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), que aponta retomada do crescimento doméstico neste ano, o que deverá garantir o aumento das importações, “ao passo que o desempenho ainda fraco da economia mundial deverá limitar a retomada das exportações,”diz o levantamento.
Fonte: Diário do Comércio