Classe média blindada


Enquanto carros médios, picapes e até “populares” aumentam a procura pelos serviços de blindagem, outras empresas se especializam em oferecer soluções para veículos importados.

Anderson Cavalcante-DCarro

Foi-se o tempo que a blindagem era artigo de luxo. Hoje, modelos como o Corolla, o Astra e o Civic estão entre os mais blindados. Picapes pequenas como a Strada também são responsáveis por boa parte da procura deste serviço e até proprietários de carros com motor 1.0 procuram este tipo de segurança.

Segundo a Associação Brasileira de Blindagem, Abrablin, no ano passado, as empresas do setor blindaram no País mais de 6.900 automóveis. Um crescimento de mais de 1.300 unidades comparando com 2007. São Paulo é o estado que mais usa este serviço, com 35% das encomendas. O Rio fica logo atrás, com 21%.

Os motivos para o aumento da gama de modelos que recebem esta proteção são óbvios: os altos índices de criminalidade no País e a redução de custos e melhoria do serviço ao longo dos últimos anos. A Abrablin informa que em 1995 o custo médio do serviço era de 60 mil dólares, baixando para o atual valor médio de R$ 48.750. Aliado a isto, a blindagem utilizava muito aço que foi, em sua maior parte, substituído por manta de aramida, muito mais resistente às balas e bem mais leve, e os vidros também evoluíram ficando mais finos e com menos peso.

Atenção – Entre os itens recomendados para a blindagem completa está o motor, teto-solar, maçanetas, retrovisores, portas, colunas e vidros. Os opcionais incluem capô, bateria, assoalho, tanque de combustível, radiador e Run Flat para pneus. Mas é preciso ficar atento com empresas que oferecem blindagens parciais.

Ricardo Mendonça, diretor da Auto Life, explica que a blindagem parcial é proibida por lei e que vai contra a norma feita pelo Exército Brasileiro que é o órgão que regulamenta e fiscaliza as blindadoras.

“Também vai contra os princípios da empresa que preza pela vida de seus clientes. Isto é muito perigoso, pois a pessoa fica um pouco mais corajosa, já que a blindagem dá um senso de proteção maior, e isso leva o cliente a correr riscos desnecessários, como o de enfrentar um bandido sem estar totalmente protegido para isso. Afinal, ele só tem 50% de blindagem ou de chances de um eventual tiro atingir apenas o vidro ou a parte blindada do carro”, conta o executivo.

O nível de blindagem também é bem variado. No Brasil há seis níveis disponíveis, conforme as normas americanas e européias. Em carros de passeio é mais comum a categoria IIIA que suporta até projéteis de Magnum 44 e submetralhadora Uzi. O vidro usado é laminado, intercalado em sua constituição com cristais com policarbonato, evitando, em caso do carro ser baleado, que os estilhaços da janela sejam jogados na parte interna do veículo.

Picapes e caminhões – Blindar picapes na Auto Life custa entre R$ 28 mil e R$ 38 mil, dependendo do tamanho da cabine e de sua área envidraçada, que encarece a blindagem. Já entre os caminhões, Ricardo Mendonça explica que existem dois tipos. A primeira é para transporte de valores, que possui uma blindagem para armas longas (fuzil) e a a segunda, que é relativamente nova, é feita em caminhões convencionais para transporte de eletrônicos, remédios, cigarros e outros produtos de alto valor agregado. “Essa blindagem é solicitada por empresas especializadas no transporte de cargas, hoje ela é muito procurada já que subiram significativamente os índices de assalto a cargas no Brasil”, comenta Ricardo.

Manutenção – Ricardo garante que é essencial alertar que os veículos blindados devem passar por vistorias periódicas e que não se deve colar adesivos ou qualquer película adesiva na parte interna dos vidros. Explica ainda que não se pode bater as portas do automóvel quando os vidros estiverem abertos e a limpeza deve ser feita apenas com um pano limpo com água, ou produtos específicos.

Ricardo aconselha os proprietários de veículos blindados adiantarem em 5 mil km a troca ou manutenção de equipamentos, em
Fonte: Diário do Comércio