CN Auto investe em Towner e Topic para abrir caminho para chinesas

                                             Empresa é parceira com a Jinbei e a Hafei Motor, agora quer a Great Wall. Novo diretor geral da empresa, Ricardo Strunz, fala ao G1 sobre estratégia.

Priscila Dal Poggetto
Do G1, em São Paulo

Todas as fichas da CN Auto foram lançadas nas marcas chinesas. A importadora oficial das vans Topic, da Jinbei, e minivan Towner, da Hafei Motor, tem projeto audacioso para este ano no Brasil: vender no atacado 5 mil unidades das duas marcas — no ano passado a importadora chegou a 1.728 unidades — e trazer a também chinesa Great Wall para o Brasil. A estreia está prevista para o Salão de São Paulo, em outubro, com a chegada de três modelos.

À frente da estratégia de negócio está o novo diretor geral da CN Auto, Ricardo Strunz, que assumiu o cargo nesta semana. Há mais de 30 anos no setor automobilístico, o executivo foi gerente da Divisão de Vendas Exportação da Volkswagen, gerente executivo de Importação e de Exportação da Autolatina, gerente de Desenvolvimento de Marca e Operacional de Vendas da Ford Motor Company (USA), diretor de Vendas e Marketing da Ford Brasil, diretor de Vendas Mercado Externo e de Planejamento Estratégico da Fiat Automóveis, entre outros cargos.

Em entrevista ao G1, Strunz afirma que a empresa procura nichos do mercado brasileiro pouco explorados para expandir as operações no país, como é o caso das minivans. Outro segmento que considera importante é o dos comerciais leves, com destaque para SUVs e picapes médias.

Segundo ele, além da Great Wall, outros acordos com fabricantes chinesas são trabalhados. “Se tem uma coisa que aprendi foi ter a paciência chinesa. Quando eles pensam em um negócio, analisam com calma, porque o tempo para eles é relativo. Então, aos poucos vamos trazer novas marcas. Nossa visão é de logo prazo”, afirma Strunz.

Visão não somente da CN Auto, hoje com 60 concessionárias. A empresa já tem fortes concorrentes oriundos do outro lado do mundo, como as chinesas Chery, Chana Motors, Effa Motors (Changhe) e JAC Motors (Jianghuai Automobile) e a indiana Mahindra. A JAC Motors, por exemplo, é fruto de um contrato de dez anos fechado entre a Jianghuai Automobile Co. e o grupo brasileiro SHC, o mesmo que trouxe a Citroën para o Brasil, e envolve US$ 100 milhões.

Para Strunz, o Brasil atrairá ainda mais fabricantes, porque conquistou a confiança dos investidores com a estabilidade econômica, diferentemente da Rússia, que já é considerada o elo mais fraco do Bric — o grupo de economias em ascensão formado por Brasil, Rússia, Índia e China.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista

G1 — A CN Auto tem plano para aumentar as vendas no Brasil de 1,7 mil unidades para 5 mil neste ano. Em que baseiam essa expansão?
Ricardo Strunz — A CN Auto é uma controladora nova, de dois anos e meio, que tem a representação das marcas e as expande em segmentos que não são explorados ainda no Brasil pelas fabricantes já instaladas. É o caso das minivans, minicarros e mini caminhões. É um nicho cada vez mais importante quando você enfrenta o caos que as grandes cidades produzem em movimentação de mercadorias e de pessoas. O objetivo é adicionar outras possibilidades de oferta, então estudamos trazer outras marcas e produtos. Brasileiro adora uma novidade.

Picapes da Great Wall estão no foco de novos
negócios para este ano (Foto: Divulgação)G1 — Quais são as marcas em negociação?
Ricardo Strunz — Estamos em negociações avançadas com a quarta maior produtora da China, a Great Wall. Queremos atuar no segmento de comerciais leves, como SUV e picapes médias, e veículos de nicho. Achamos que as marcas novas devem entrar em segmentos que não existem aqui, para depois trazer produtos que concorram com os locais.

G1 — E por que trazer marcas chinesas mesmo com o preconceito que existe no país em relação aos produtos “made in China”?
Ricardo Strunz — Vejo esse preconceito como herança de alguns produtos de origem chinesa, que criaram uma imagem distorcida do que era a China. Mas o que vem hoje está em outro nível, tant
Fonte: G1 Globo Online