Começam a faltar peças para Fusca


Varios itens são encontrados apenas no mercado paralelo

Igor Thomaz

Parece difícil de acreditar, mas a vez dele também chegou. Ninguém diria, na década de 1990 ou mesmo nos primeiros anos do novo milênio, que o Fusca entraria para o clube dos modelos com escassez de peças. É verdade que demorou, mas o mítico Volkswagen já figura nessa triste lista. “Muitas peças originais deixaram de ser fabricadas nos últimos anos. Existem produtos paralelos, como lanternas de acrílico ou de plástico, borrachas de vedação e peças de estamparia, mas a qualidade é inferior à das peças de fábrica”, diz Sérgio Fontana, diretor das lojas Atlas Acessórios Automotivos e Borracenter Comércio de Artefatos de Borracha (que ficam na famosa região da Avenida Duque de Caxias, em São Paulo).

Conhecido também como um dos fundadores do Fusca Clube do Brasil, ele comenta que até mesmo o Fusca “Itamar”, reedição do modelo fabricada nos anos 90, sofre com a falta de itens importantes, como as borrachas de vedação das tampas dos porta-malas e do motor. “Elas não existem mais, a gente consegue componentes parecidos, mas não é a mesma coisa.”

Peças originais internas, como paineis de porta, também estão em falta no mercado
Fontana credita essa falta de peças não apenas ao fato de o modelo ter saído de linha nos anos 90, mas à cultura das montadoras instaladas no país, que se voltam cada vez mais para os avanços tecnológicos e simplesmente parecem apagar sua própria história. “Não entendo porque elas deixam de produzir peças de reposição quando bem entendem, apesar de muitos de seus modelos continuarem rodando. Pior ainda: em vez de vender o ferramental para que outra empresa continue a produzir componentes de reposição com a qualidade de um produto original, as montadoras sucateiam essas máquinas e as vendem por peso. É muito triste”, pondera.

Na visão do comerciante, a questão dessa cultura voltada apenas para o presente atrapalha tanto os lojistas quanto os colecionadores. “E isso é ruim também para quem usa seu modelo antigo no dia-a-dia e se vê obrigado a recorrer a peças de qualidade inferior. Mesmo no Brasil, é mais fácil restaurar um Ford Mustang 66, por exemplo, que um Fusca 74, ou uma Variant da mesma década. Carros estrangeiros contam com oferta de peças novas e de qualidade, o que não ocorre aqui.”

Para atenuar o problema, as lojas onde o comerciante trabalha investiram em ferramental próprio, que teve peças originais usadas como molde. “Nós mesmos produzimos os estribos do Fusca, além de uma série de itens de vedação feitos de borracha, de acordo com o padrão de fábrica. Mesmo assim, não dispensamos o trabalho de ‘garimpo’ nos estoques de lojas de todo o País para atender ao cliente que faz questão de comprar uma peça original. E, ainda assim, está cada vez mais difícil encontra componentes para o VW”, comenta Fontana.

Esse mesmo trabalho de busca é realizado pela Líder Acessórios, também na região da Duque de Caxias. De acordo com o vendedor Isaías Santos de Almeida, o garimpo é fundamental para buscar os componentes mais raros do Fusca. “Temos contatos em todo o Brasil, mas ainda possuímos uma quantidade boa de peças para esse carro”, comenta.

Emblema 1500, tampa do motor e suporte da luz de placa
Dependendo do ano do modelo, ainda é possível encontrar opções, principalmente paralelas. Exemplo disso, segundo Santos, são os faróis com lentes planas ou os pára-lamas mais estreitos, que passaram a equipar a linha em 1973. “De 1972 para trás, aí fica bem mais difícil. Retrovisor interno, quebra-sol, peças de estamparia, emblemas, frisos, pestanas, canaletas, palhetas do limpador, lanternas e componentes de acabamento originais para os Fuscas mais antigos estão bem escassos. O preço cada vez maior mostra exatamente isso.”

De acordo com o vendedor, um pára-lama usado, porém original, do modelo feito até 72 custa R$ 380, contra R$ 175 de um paralelo novo para a linha seguinte do modelo, de qualidade bem razoável. “Temos todas as peças de estamparia para o Fusca, n
Fonte: Auto Esporte