Como anda o novo Mercedes-Benz SL 350


Um dia com o conversível na praia é o suficiente para lavar a alma e escurecer a pele

Hairton Ponciano Voz // Fotos: Fabio Aro

Meu chefe está pegando no meu pé. Outro dia, eu estava tranquilão, checando e-mails, postando no Facebook, Orkut, enfim, envolvido naquelas atividades cotidianas, quando ele se aproximou e – claramente interessado em cortar meu barato – me entregou uma chave: “Acho que vale a pena ir até a praia com ele”. Isso significava levantar de madrugada, passar na casa do fotógrafo e ficar o dia inteiro… com um Mercedes SL 350.

Bom, isso muda um pouco as coisas. O Facebook e o Orkut poderiam esperar. Idem para os spams. No início da manhã seguinte, lá estávamos eu, o fotógrafo Fábio Aro, a Merça e o Ricardo Fiorotto. Destino: Ilhabela. Mas onde entra o Fiorotto, diretor de arte da Autoesporte? Em outro carro, porque o SL já estava com ingressos esgotados.

A primeira boa impressão veio do porta-malas. Conversíveis normalmente têm pouco espaço para bagagens, mas para um carro dessa categoria até que o SL conseguiu acomodar bem a aparelhagem do Fábio Aro, que (desconfio) leva até o motor de seu Civic VTi em uma das malas, para garantir que ninguém andará no carro dele. Em números frios, o porta-malas do SL abriga 339 litros, praticamente o mesmo que os 340 l do Civic. Com a capota recolhida, a capacidade diminui para 235 litros. Mas o prazer aumenta muito. A gente chega lá, aguenta aí.

Tudo acomodado, partimos para a rodovia Ayrton Senna. Primeira escala: café da manhã no posto BR que fica no comecinho da estrada. Ali o padrão é Fasano – nos preços, bem entendido. Não sei se me viram estacionando a Merça, mas fui tratado como patrão (na hora de pagar). Em compensação, a cozinha segue a filosofia slow food: eta lanchinho demorado!

De volta à estrada, intimei o motorzão a mostrar o que sabia. Para ligar, não é preciso colocar a chave no painel. O lugar dela até está lá, mas basta apertar o botão (start-stop) no topo da alavanca de câmbio que o V6 acorda disposto. Para desligar, é só repetir a operação. Notou a frente longa? Ali cabe motor de 12 cilindros, caso do SL 65 AMG, equipado com um 6.0 de 612 cavalos. Meu SL por um dia estava apenas com a metade dos cilindros (V6) e praticamente a metade da potência (316 cv), mas não posso reclamar. A capacidade de aceleração impressiona, idem para o ruído que dele emana.

A AMG não pôs as mãos no motor 3.5 do SL 350, mas ele tem DNA de carro forte. E o ruído também foi estudado, para passar impressão de motor preparado. Na traseira, as duas saídas de escape ovais deixam evidente que houve preocupação sobre esse tema à exaustão – com perdão pelo trocadilho.

Graças ao torque de 36,7 kgfm, basta uma cutucada no acelerador para respostas instantâneas. A Mercedes anuncia 0 a 100 km/h em 6,2 segundos. A máxima é limitada a 250 km/h. Para um carro de 1.825 kg – e que está longe de ser o mais esportivo da linha SL –, está bom. O câmbio automático de sete marchas também “tem culpa”. “Fatiando” as relações em tantas marchas, as respostas são sempre eficientes, porque as marchas ficam muito próximas. Quando o motorista faz reduções no modo manual (há borboletas no volante), o câmbio pode reduzir até duas marchas, para elevar a rotação e melhorar as respostas. Claro que também nesse caso as reduções são acompanhadas de um vigoroso som do motor, para deixar a tocada mais emocionante. Com o pé embaixo, as trocas só ocorrem a 7.200 rpm, com a agulha batendo na faixa vermelha do conta-giros.

Nas curvas – não da estrada de Santos, mas da Mogi-Bertioga – foi a vez de convocar a suspensão. E mais uma vez o SL me convenceu de que um dia fora da redação não me faria nenhuma falta. O roadster (tipo de conversível dois lugares caracterizado pela frente longa e traseira curta) enfrentou a sequência de curvas com muita obediência, atendendo aos meus comandos de direção sem muitas reclamações dos pneus, e sem desvios de trajetória.

Vamos por partes: os pneus reclamaram muito pouco porque são muito largos e
Fonte: Auto Esporte