Como setor de autopeças contorna a crise mundial

Indústrias usam banco de horas, antecipam férias e realocam produção para exterior

SONIA MORAES
SÃO PAULO

Enquanto aguarda uma posição mais firme da indústria automobilística sobre a quantidade de veículos que será fabricada no primeiro bimestre de 2009, as fabricantes de autopeças já estão tomando providências para evitar aumento de peças em estoque e até mesmo demitir seus funcionários.

A Dura Automotive — que abastece as montadoras com sistemas de eleção e engate de marchas, alavancas de freio de estacionamento, pedais, janelas, macacos, cabos de comando, dobradiças de capô e porta malas, produtos de aço estampado e injetados plásticos — está antecipando as férias coletivas, utilizando os créditos do banco de horas para dar folga aos empregados, reduzindo os gastos com energia elétrica, água, telefone e comprando somente a quantidade necessária de materiais produtivos. “Estamos tentando reduzir as despesas e mantendo o quadro de funcionários porque acreditamos que é essa crise é passageira.
Não queremos desmontar uma equipe que já está treinada, pois se o mercado automotivo reagir teremos condições de atender rapidamente a demanda”, disse o presidente da empresa, Mario Butino.
A estimativa do presidente da Dura é que o primeiro trimestre de 2009 comece com volume baixo de produção, igual ao mês de novembro.“A partir de abril, quando terá passado o impacto da crise, a insegurança de perder o emprego e o dinheiro ter chegado ao consumidor, o mercado automotivo começará reagir”, acredita Butino.
Com a produção da sua fábrica de Rio Grande da Serra (SP), bastante reduzida em razão dos seus principais clientes estarem em férias coletivas, a Dura aproveita a baixa produção para colocar em ordem as férias dos seus 1.100 empregados.
“Agora é hora de trabalhar, rever os conceitos, controlar os gastos e preparar a empresa para voltar ao ritmo normal de produção. Estamos fazendo um estoque mínimo de um ou dois dias para garantir a entrega de material quando as férias coletivas das montadoras terminarem”, comentou Butino.

A Eletromecânica Dyna, fabricante brasileira que produz limpadores de pára-brisa, também está preparada para uma retomada do mercado automotivo. “Não estou reduzindo substancialmente os estoques, apenas diminuindo os volumes conforme os programas das montadoras”, disse o diretor comercial da empresa, Celso Liberal.
Para manter o emprego no momento de retração nas vendas de veículos, a Dyna está transferindo parte da sua produção que era destinada às montadoras no Brasil para o mercado de aftermarket na Europa.
De 52% da produção que ficava no Brasil o volume caiu para 40%.
Já as exportações, que representavam 18%, aumentaram para 30%. “Como a crise está sendo amplamente divulgada espontaneamente os funcionários estão colaborando para ajudar a empresa a reduzir custos e assim evitar demissões”, comentou o diretor da Dyna.

A TMD Friction, que fabrica lonas de freios, já havia eliminado as horas extras na sua fábrica de Indaiatuba (SP) com a melhoria na produtividade e, agora, está gerenciando os custos e os inventários para implantar plano de ação quando for necessário. “Temos feito revisão nas demandas e não alteramos plano de produção”, disse o diretor presidente Feres Macul Neto. Mesmo com as vendas de veículos reduzidas no País, a TMD mantém
a produção na linha que abastece o mercado de reposição. Para equilibrar os negócios da companhia globalmente a matriz na Alemanha da TMD decidiu transferir para o México a produção do Brasil que atendia os EUA. Em contrapartida, ampliou o contrato de exportação da unidade brasileira para a Europa. Ao mercado de reposição a empresa envia lonas para caminhões.

Assim como a SKF, que faz rolamentos, e a TRW, que produz sistemas de direção, suspensão, cinto de egurança, a Elring Klinger também está realocando a equipe internamente para evitar demissões. “Reduzimos turnos, cortamos gastos extraordinários, mas vamos segurar a mão-de-obra para evitar custos com demissão”, disse Luiz Alberto Timm Mi
Fonte: Gazeta Mercantil