Crédito difícil atrapalha negócios em suprimentos

Diretores de compras de montadoras e especialistas no mercado automotivo estiveram reunidos no Hotel Sheraton WTC dia 6, segunda-feira, em seminário AutoData (organizado por Automotive Business) para avaliar o impacto da crise na cadeia de suprimento e os cenários em suprimentos para 2009. As principais preocupações dos dirigentes estão na obtenção de recursos para financiar as operações e no realinhamento da cadeia.

“No final de 2008 a Fiat fez um esforço máximo para absorver a produção dos fornecedores” – disse o diretor de compras da montadora, Osias Galantine, que hoje (7) promove a entrega do prêmio Qualitas aos melhores parceiros de mercado. Ele explicou que houve uma queda de US$ 1 bilhão no caixa em função na queda da atividade, que só agora começa a se normalizar em relação a níveis históricos.

Osias acredita que montar 11.500 carros por dia é um número razoável e possível para a indústria automobilística neste momento. A Fiat faz hoje 2,8 mil veículos por dia em Betim e outros 300 em Córdoba, na Argentina. Ele entende que o mercado interno este ano pode absorver 2,5 milhões de veículos leves, incluindo carros e comerciais.

Stephane Martinez, diretor de compras da PSA Peugeot Citroën, não adiantar estimativas de produção, lembrando que hoje os objetivos tem sido de curto prazo. Vagner Galeote, diretor de compras da Ford, concorda e assegura que esse é um problema da cadeia como um todo. A preocupação é não ficar com carros no pátio. “Se temos capacidade de vender, corremos atrás da produção” – resume.

“Uma comunicação eficiente com os fornecedores hoje é um fator crítico para manter o nível de atividade saudável na área de suprimentos” – afirmou Johnny Saldanha, vice-presidente de suprimentos da GM para a região LAAM, que inclui o Mercosul.

A dificuldade em obter crédito do mercado é citada por Galeote, Saldanha, Martinez e Osias como um fator que chega a travar negócios e afeta principalmente os fornecedores menores. Diante da falta de liquidez de alguns parceiros, as montadoras trataram de equacionar soluções para evitar gargalos nos fornecimentos. “Não conseguimos olhar a cadeia completa, até o final, mas procuramos chegar até o segundo nível e dar fôlego aos fornecedores” – explica Galeote. “Em nenhum caso usamos estratégias de atrasar pagamentos para reforçar o caixa” – assegurou.

Paulo Roberto da Luz, que passou a comandar o setor de suprimentos da Iveco, destacou os avanços na organização do parque de fornecedores ao redor da fábrica de Sete Lagoas, MG. “A proximidade física da linha de montagem reduz custos, eleva a eficiência e traz maior flexibilidade às operações” – garantiu.

Ricardo Ribeiro, diretor de compras da CNH, enfrentou o desafio de um pátio lotado de máquinas e componentes no final de 2008, uma situação ainda não resolvida. Ele confirmou que a empresa continua investindo na planta de Sorocaba, que deve estar pronta até 2010 e representará o maior centro de distribuição da empresa do grupo Fiat.

Ele aposta em uma produção ao nível de 2007, mas só no segundo semestre
Fonte: Automotive Business