Crise chega e região demite 1.050 funcionários

Michele Loureiro
Do Diário do Grande ABC

Às vésperas do Natal, cerca de 1.050 trabalhadores da região não terão muitos motivos para comemorar. Duas empresas admitiram sofrer os efeitos da crise econômica – que assombra o mundo desde meados de setembro – e anunciaram as demissões.

A empresa norte-americana Ryder Logística, com filial há 15 anos em São Bernardo, fechou as portas na última sexta-feira e demitiu os 850 funcionários.

Segundo a assessoria de imprensa, a companhia mandou embora 2.400 funcionários em toda América Latina – além de São Bernardo, há unidades na Argentina e Chile.

A assessoria confirma que os efeitos da crise finalmente foram sentidos e não há como manter atividades por ordem da matriz americana. Na região, a Ryder Logística era responsável pelo transporte de peças da GM (General Motors) e Ford.

A TRW Automotive, indústria de autopeças em Diadema, enfrenta dias complicados. Com cerca de 580 funcionários, a empresa negociava demissões com o Sindicato dos Metalúrgicos há um mês. “Nós estávamos incumbidos de amenizar a situação, mas fomos pegos de surpresa com a notícia das demissões”, conta o diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos de Diadema, José David Lima Carvalho.

A entidade não confirma o número de demissões, mas estima que sejam cerca de 200.

“Acho que eles foram precipitados. Afinal, todas as empresas de autopeças que nos procuraram (queixando-se da queda na demanda) são orientadas a esperar 2009 para ter uma noção do cenário econômico”, explica Carvalho.

Além de receber a má notícia da demissão, os funcionários da TRW Automotive – que produz peças para GM – foram notificados por correio. “Eles enviaram carta por sedex notificando as demissões. Amanhã vamos nos reunir em frente à empresa, às 5h30, para tentar resolver esta situação e evitar mais cortes”, diz o sindicalista.

As demissões ocorreram de forma tensa. Na madrugada de sexta-feira, os funcionários foram avisados no meio do trabalho que o turno estava suspenso e que deveriam ir para casa. “Como eram 3h da manhã eles não tinham condução. Mesmo assim, a empresa apagou as luzes e expulsou os funcionários do local”, diz carvalho. Representantes da TRW não foram encontrados. (Colaborou Vivian Costa)

Fonte: Diário do Grande ABC