Crise japonesa pode mudar panorama da indústria internacional


A crise de produção na indústria automotiva mundial, gerada pelo terremoto e tsunami que atingiram o Japão, este mês, poderá ter efeitos mais duradouros do que se supunha anteriormente e, inclusive, modificar algumas políticas de produção das grandes fabricantes.
Alguns analistas já antevêem que a produção mundial de carros pode sofrer uma queda substancial – de até um terço no ano.

Entre os questionamentos levantados pela falta de peças e componentes fabricados no Japão, alguns fabricantes estudam se devem exigir que seus maiores fornecedores tenham instalações alternativas para produzir peças consideradas críticas.

As marcas japonesas, obviamente as mais afetadas pela crise, forçosamente irão produzir menos carros este ano e, dependendo da redução de suas vendas, muitos especialistas especulam se isso poderá provocar alterações em sua participação no mercado mundial.

Outra dúvida é se as fábricas irão aumentar os preços ao consumidor se alguns modelos se tornarem mais difíceis de encontrar.

A maioria dos grupos automotivos ainda não tem uma definição clara de quanto tempo continuarão a produzir normalmente, caso o fluxo de peças não volte à normalidade. Vários deles já paralisaram algumas fábricas diante da falta de componentes, principalmente equipamentos eletrônicos, de que o Japão é grande produtor.

Um exemplo de produto em falta são os sensores de fluxo de ar feitos pela Hitachi, empresa que responde por mais da metade da produção mundial desse equipamento, cuja fábrica foi seriamente danificada.

Como todas as grandes crises, a desgraça de alguns pode tornar-se uma oportunidade para outros. As maiores marcas coreanas, Kia e Hyundai, por exemplo, por serem menos dependentes de fornecedores japoneses, são menos afetadas e poderão aproveitar a oportunidade para aumentar ainda mais suas exportações e, até mesmo, elevar os preços de seus produtos.

JM

Fonte: Auto Estrada