Custo do carro brasileiro é baixo. Mas o preço final…

As montadoras brasileiras sabem como produzir carros de baixo custo, e já os produzem. Para os diretores de engenharia da Ford, Mílton Lubraico e Ricardo Munerato, palestrantes no Congresso SAE Brasil 2008, na terça-feira, 8, os modelos compactos populares presentes no mercado nacional possuem custo de produção baixo.

Para produzir o veículo mais barato vendido aqui, o Effa M100, os chineses da Changhe gastam aproximadamente R$ 4,5 mil, de acordo com Lubraico. No mercado ele custa cerca de R$ 23 mil, “e esse valor nós já alcançamos”.

Outros gastos, no entanto, como logística e tributos, contribuem para que o preço final dos nacionais fique acima de US$ 10 mil. Há a necessidade, portanto, de reduzir esses custos para que o preço fique em patamar razoável para os consumidores sem apertar as margens.

Munerato lembra que na década passada algumas empresas chegaram a oferecer carros ao preço de US$ 7,2 mil, “e todos ganhavam dinheiro com isso”. Como os custos com impostos e logística dependem muito mais do governo do que dos esforços dos engenheiros a solução é buscar melhorias na produtividade e no desenvolvimento dos modelos.

Ele exemplifica que há como reduzir gastos com materiais a fim de diminuir o peso do veículo. Um modelo do segmento B, no qual se incluem os carros populares, tem aproximadamente 70% do seu peso composto por aço. O alumínio, material mais leve e mais caro, compõe 7%: “Temos que colocar mais alumínio. É caro porque tem pouca escala, e o preço cai se aumentarem produção e demanda”.

No que Munerato também acredita é no aumento do uso de nanotecnologia no automóvel, pois acredita que há como melhorar diversas partes dos carros com a tecnologia.

Mas Munerato e Lubraico acreditam ser impossível produzir modelo como o Nano, da Tata Motors, da Índia, no mercado brasileiro. Lubraico é enfático: “O Nano é irreal. É uma motocicleta com quatro rodas, sem diversos materiais que a legislação brasileira exige. E conta com ajuda do governo”.

Para ele cada realidade tem uma resposta para os carros de custo baixo: “O Brasil está pronto e pode surpreender qualquer um. Precisa só de direção e de coragem”.

(André Barros)

Fonte: Boletim Autodata