Debate: como vai evoluir o nosso flex

Sigma da Ford
A jornalista Cleide Silva analisa no Estadão desta segunda-feira, 17, a evolução do carro flex no Brasil. Ela lembra que os carros elétricos e híbridos têm custo elevado e são inviáveis para o mercado brasileiro.

Os especialistas entrevistados afirmam que a tecnologia flex será aprimorada e estão em avaliação sistemas de injeção direta a etanol juntamente com turboalimentação e emprego de materiais e soluções capazes de tornar os motores mais leves. A Bosch trabalha na nacionalização do start-stop, que desliga o motor quando o carro fica parado por alguns minutos e religa automaticamente com a pressão do acelerador.

Novidades em outros sistemas dos veículos vão contribuir também para que os veículos se tornem mais eficientes, como o Led, que consome dez vezes menos energia que lâmpadas convencionais.

Obstáculos

A Fiat deu passos adiante com o desenvolvimento dos motores Evo (de Evolution) para o Novo Uno, que reduz a massa de componentes e utiliza tecnologias para reduzir em até 10% o consumo de combustível e as emissões. A empresa promete também maior eficiência nos propulsores que começa a produzir em Campo Largo, no Paraná. Outros fabricantes também tem anunciado melhorias em seus motores. A Ford passou a fabricar o Sigma, em alumínio, que conviverá com o Zetec Rocam e será exportado para a América do Norte.

A boa combinação entre motor flex e etanol, que permite reduzir a 35 gramas por quilômetro rodado as emissões de CO2 (considerando a cadeia completa do etanol, desde o crescimento da cana e absorção do CO2 da atmosfera), deve adiar o desenvolvimento do carro elétrico no Brasil. O País pode nem mesmo passar pela fase do híbrido, a caminho do elétrico.

O perfil da demanda no Brasil, concentrada em carros baratos com motor de pequena cilindrada, é o maior obstáculo ao desenvolvimento de veículos de alta performance e baixo consumo. A substituição do ferro fundido pelo alumínio em motores para carros populares, por exemplo, esbarra na relação custo-benefício. A adoção de injeção direta e turboalimentação está ainda distante de uma massificação no Brasil, pelo mesmo motivo.

A legislação tem sido fator importante para agregar valor aos veículos nacionais, com a obrigatoriedade de componentes como ABS e airbags. Houve também um empurrão para melhorar as emissões, com as portarias do Proconve. Outra providência que pode contribuir para melhorar a eficiência dos veículos é o selo verde, valorizando veículos com melhor performance. Associado a um estímulo do IPI ou no emplacamento, o selo conduzirá a programas de melhoria.

Sistemas mais eficientes, da mesma forma que opcionais atrativos, vão chegar mais cedo aos carros médios e também na medida que os carros importados sirvam como referência aos consumidores. A proteção de 35% nas tarifas de importação para veículos não oriundos do Mercosul ou do México (que compensa o custo Brasil) ainda funciona como desestímulo a uma revolução no motor flex popular, provocando acomodação e avanços acanhado, baseado em pequenas melhorias.

Fonte: Automotive Business