Definição sobre obrigatoriedade do ESC sai ainda em 2015

 AEA quer prazo de ao menos 5 anos para a indústria se adequar
GIOVANNA RIATO, AB
O ESC, sistema de controle eletrônico de estabilidade, está perto de se tornar item obrigatório nos carros vendidos no Brasil. A informação foi confirmada por Edson Orikassa, presidente da AEA, Associação de Engenharia Automotiva, e gerente de engenharia de produto da Toyota. Ele acredita que o assunto deve ser regulamentado antes do fim de 2015. “Sugerimos prazo de cinco a sete anos para a implementação em 100% dos carros vendidos no País”, conta.Segundo ele, este é o tempo necessário para a adaptação dos projetos, incluindo o ESC em automóveis que hoje ainda não contam com o sistema. Dessa maneira, a chegada da tecnologia aconteceria de forma gradativa. O executivo faz um paralelo com o início de 2014, quando se tornou compulsória a oferta de airbag duplo frontal e freios ABS. Orikassa estima que atualmente o sistema de controle de estabilidade esteja presente em apenas 5% a 10% dos veículos vendidos no Brasil. A AEA foi responsável por fazer a proposta técnica da obrigatoriedade do ESC para o Denatran, Departamento Nacional de Trânsito. Para a entidade, a tecnologia seria uma ferramenta importante para que o Brasil reduzisse acidentes com mortes nas estradas. “Essa é a década da segurança veicular da ONU e o País já foi cobrado por não ter registrado bons resultados”, lembra. Além da pressão internacional, há um movimento local pela adoção do ESP em larga escala. No início de novembro a Proteste, associação de defesa do consumidor, lançou a campanha Carro sob Controle com o objetivo de tornar o sistema obrigatório no Brasil. Além disso, o Latin NCAP, programa que avalia a segurança de carros novos vendidos na América Latina e Caribe, vai atualizar seu protocolo no próximo ano, só garantindo nota máxima em segurança para os automóveis equipados com o controle eletrônico de estabilidade. Para ganhar as almejadas cinco estrelas, os carros terão também de apresentar bom desempenho em outros aspectos avaliados, como nos testes de impacto frontal, lateral e contra poste.EVOLUÇÃO EM SEGURANÇA Orikassa estima que o ESC tem custo adicional para o consumidor de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Ele diz, no entanto, que o impacto da inclusão do dispositivo no preço do carro será menor do que o registrado quando a indústria teve de oferecer airbags e freios ABS. O executivo acredita que tornar obrigatório o controle eletrônico de estabilidade é um caminho essencial para aumentar a segurança. “Este é um item pelo qual a maior parte dos consumidores não paga mais para ter se for opcional. A partir do momento em que todas as empresas precisam oferecer de série, fica mais fácil. Nenhuma montadora vai sair em desvantagem”, analisa.Para o presidente da AEA, os próximos passos para tornar o carro brasileiro mais seguro são exigir itens para reduzir os danos de impactos laterais, como proteção para as portas e airbags laterais. Em seguida, ele acredita que é o momento de olhar com mais cuidado para a segurança do pedestre. Orikassa sugere a adoção de medidas para tornar o capô do veículo menos rígido com, por exemplo, um distanciamento sutil entre a tampa e o motor. Dessa forma, em caso de atropelamento, os danos ao pedestre tendem a ser menores, com melhor absorção do impacto.
Fonte: Automotive Business