Desemprego, a terceira fase da crise financeira global

Redação

SÃO PAULO – A crise financeira transformou-se em uma crise na economia real e políticos já alertam para a terceira fase: a crise social. Na Europa, são quase 10 mil novas demissões a cada dia. Nos EUA, relatório apontou a perda de mais de 1,2 milhão de postos de trabalho entre janeiro e novembro e considerou esse o principal fator para determinar que o país está em recessão desde dezembro do ano passado. No Brasil, os indicadores de emprego ainda resistem, mas o desaquecimento da atividade provocado pela crise global já dá sinais de que esse quadro pode ser afetado.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que o número de desempregados nos países que integram a organização poderá aumentar em 8 milhões nos próximos dois anos apenas. O desemprego poderia subir dos atuais 34 milhões para 42 milhões até 2010. Veja abaixo a evolução do desemprego nas principais economias do mundo.

EUROPA

– Reino Unido

O país divulgou no início de novembro o pior aumento do desemprego em 16 anos e uma recessão. Atualmente, o governo inglês é obrigado a pagar pensões a 980 mil pessoas. 1,8 milhão perderam seu trabalho em 2008. No país, foram 1,5 mil novos desempregados por dia entre agosto e outubro. Em termos porcentuais, a taxa de desemprego chega a 5,8% no Reino Unido, contra 7,5% na zona do euro, taxa que deve aumentar para quase 9% em 2009.

– França

A taxa de desemprego na França subiu para 7,7% no terceiro trimestre, acima da taxa de 7,6% no segundo trimestre, mas abaixo dos 8,2% em igual período do ano passado. Na área metropolitana, que exclui territórios externos, o desemprego aumentou para 7,3% da população ativa, ou 2,04 milhões de pessoas, de 7,2% no segundo trimestre.

O governo estima que são mais de 1,2 mil o número de pessoas que recebe cartas de demissões por dia.

Durante sua campanha presidencial no ano passado, Nicolas Sarkozy prometeu derrubar a taxa de desemprego para abaixo de 5% dentro de cinco anos. A última vez em que a taxa ficou assim baixa foi no segundo trimestre de 1979, segundo o Instituto de estatísticas Insee.

– Alemanha

A taxa se manteve estável em 7,1% em outubro, a mesma registrada em setembro.

– Espanha

A perda de emprego tem sido mais acelerada na Espanha, onde a taxa de desemprego atingiu 12,8% em outubro, de 12,1% em setembro. Entre os mais afetados estão os imigrantes, muitos deles brasileiros. Na Espanha, 46% dos imigrantes estão desempregados.

AMÉRICA

– EUA

Os pedidos de auxílio-desemprego no país caíram em 21 mil na semana encerrada em 29 de novembro, para 509 mil pedidos. Economistas esperavam aumento de 11 mil pedidos. No entanto, a média quadrissemanal de pedidos e os benefícios recebidos há mais de uma semana atingiram o maior nível em quase 26 anos.

A média quadrissemanal de pedidos aumentou 6.250, para 524.500, o maior nível desde 18 de dezembro de 1982 e bem acima do nível tipicamente associado a recessões e aumentos na taxa de desemprego.

As demissões anunciadas nas empresas do país aumentaram em novembro para o maior nível mensal desde janeiro de 2002, de acordo com relatório da consultoria de recolocação Challenger, Gray & Christmas. Os cortes nas empresas atingiram 181.671 empregos em novembro, mais que o dobro das 73.140 demissões um ano antes.

– Brasil

Em outubro, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 7,5%, a menor do ano, mas o desaquecimento da atividade provocado pela crise global já dá sinais de que pode afetar esse quadro. A Vale, por exemplo, anunciou a demissão de 1.300 empregados no mundo inteiro devido à retração da demanda mundial. Representantes do setor de construção civil, importante empregador, também já anunciaram que o cenário de contratações é incerto.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmou que o governo está avaliando medidas para evitar o desemprego, mas não deu detalhes. “O que acho é que hoje o governo tem os instrumentos. A diferença é essa. A gente tem
Fonte: O Estado de São Paulo (04/12/2008)