Diretores das montadoras devem mudar de método ou pedir demissão, diz Obama

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da France Presse, em Chicago

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, foi bastante crítico com os diretores das três grandes montadoras americanas –General Motors, Ford e Chrysler– ao dizer que ou mudam seus métodos na liderança das empresas ou devem pedir demissão.

“Devemos ter uma indústria automotiva que compreenda que não pode continuar trabalhando da mesma maneira”, afirmou Obama durante uma coletiva de imprensa em Chicago. A declaração vem em meio a grande expectativa sobre a aprovação, pelo Congresso americano, de um plano de resgate para o setor, um dos mais atingidos pela recessão econômica no país.

“Se os diretores atualmente em função não entenderem a emergência da situação e não quiserem fazer escolhas difíceis e se adaptar às novas circunstâncias, então deverão se afastar”, acrescentou Obama. “Por outro lado, se quiserem, se forem capazes de se mostrar comprometidos a realizar mudanças importantes, então é diferente”.

Para ele, quebrar não é uma opção. “Eu não acho que é uma opção simplesmente deixar que entre em colapso”, disse. “O que nós temos que fazer é dar ao setor assistência, mas essa assistência é condicionada a significativos ajustes. Eles terão que reestruturar (o setor).”

General Motors, Ford e Chrysler pedem que o governo libere um total de US$ 34 bilhões –um valor mais de US$ 9 bilhões maior do que o solicitado há duas semanas.

A presidente da Câmara de Representantes (deputados) dos EUA, Nancy Pelosi, anunciou que o projeto de lei para resgatar as “três grandes” do setor automobilístico do país –General Motors, Ford e Chrysler– será votado na próxima semana. “Espero que o projeto seja apresentado para sua votação na Câmara na próxima semana”, disse.

Vigilância

O senador democrata por Michigan, Carl Levin, confirmou neste domingo que o Congresso visa à criação de um cargo equivalente ao de um “czar do automóvel”, que teria a função de vigiar a reestruturação do setor.

O cargo estaria subordinado ao departamento de Comércio, deverá assegurar que “as condições de uso do dinheiro sejam respeitadas, que tenha uma autêntica vigilância e que de tudo isso sairá uma indústria mais reduzida e mais verde”, acrescentou Levin ao canal Fox.

Os congressistas democratas afirmaram no sábado que chegaram a um acordo inicial para votar um plano de resgate de US$ 15 bilhões na próxima semana, segundo informou a imprensa americana.

Utilizando o dinheiro de um programa de empréstimos subsidiado pelo governo federal para estimular a introdução de tecnologias ecológicas nos novos modelos, os empréstimos a curto prazo do plano serviriam para sustentar a indústria até março, segundo o jornal “Washington Post”.

Plano de resgate

O jornal “The New York Times” escreveu, por sua vez, que o acordo abriria caminho para que o secretário do Tesouro, Henry Paulson, solicitasse os US$ 350 bilhões restantes do fundo de US$ 700 bilhões destinados ao resgate do sistema financeiro americano.

Em um primeiro momento, poderão ser liberados US$ 15 bilhões, ao contrário dos US$ 34 bilhões pedidos pelos principais fabricantes do país.

Dois dos três grandes fabricantes de Detroit (Michigan), a General Motors (GM) e a Chrysler, advertiram que poderão enfrentar a falência antes do fim do ano se não receberam uma ajuda por parte dos poderes públicos.

Somente a GM reclama um total de US$ 18 bilhões, dos quais US$ 8 bilhões antes de janeiro de 2009. A Chrysler diz necessitar, por sua parte, de 7 bilhões para fazer frente a seus vencimentos no primeiro trimestre de 2009.

A Ford, menos afetada a curto prazo, pede uma linha de crédito de US$ 9 bilhões que espera não ter de usar.

Antes de liberar o pacote de emergência de US$ 15 bilhões, os democratas devem chegar a um compromisso com a oposição republicana e o governo de George W. Bush, cuja postura é a de não tirar dinheiro dos fundos do plano de resgate dos bancos (de US$ 700 bilhões) votado em outubro, tal como deseja
Fonte: Folha Online