Dirigindo com mais consciência

Marcelo Monegato
Enviado a Sumaré

Será que todo motorista habilitado sabe realmente dirigir com segurança, a ponto de salvar a própria vida em uma situação de extremo risco? Será que fazer uma determinada curva em altíssima velocidade é uma mera questão de coragem? E para escapar de um acidente sério é preciso ter um dom especial? Se você respondeu ‘sim´´ para todas essas perguntas, atenção: reavalie os seus conceitos sobre direção!

É fato: os cursos hoje ministrados pelas auto-escolas brasileiras servem exclusivamente para preparar os futuros condutores a fazer mais ou menos uma baliza, não deixar o carro descer em uma leve rampa, não permitir que o carro morra ao sair de um semáforo, entre outras coisinhas. E pensando exatamente em preparar o motorista para encarar de frente uma possível situação de emergência no selvagem trânsito das grandes cidades, a BMW, juntamente com a Pirelli, oferece o BMW Driver Training.

O curso, realizado aos finais de semana na pista de testes da Pirelli em Sumaré, interior de São Paulo, e que neste ano completa dez anos de existência, é oferecido em três níveis: básico (R$ 1.200), avançado (R$ 1.800) e Protection (R$ 2.000). Os instrutores também são de ponta. Destaques para Ingo Hoffmann, que foi por 12 vezes campeão da Stock Car, e para César Augusto Urnhani, nascido em Santo André e que foi o instrutor do Diário durante o curso básico de direção.

Antes mesmo de buscarmos a pista de provas e nos dedicarmos aos sete exercícios propostos, Urnhani prepara o aspecto psicológico da turma formada por dez motoristas. “Antes de mais nada, é fundamental que o motorista entenda que a peça principal de um carro fica entre o volante e o banco do motorista”, revela o instrutor, arrancando sorrisos dos apreensivos alunos. “É preciso que todos entendam que dirigir bem não significa dominar a máquina, mas dominar os próprios instintos e entender as limitações particulares de cada um”, completa.

Especificamente sobre tecnologia embarcada nos carros, Urnhani aproveita para exorcizar alguns mitos. “Tem pai que prefere dar para o filho um carro popular de 70 cv de potência, com medo de ele se matar, em vez de presenteá-lo com um carro com mais de 200 cv que traga ainda freios ABS, controle de tração e muitos air bags”, exalta o instrutor.

Mentalmente preparados, o próximo passo é encarar a pista. O brinquedo a ser conduzido pelos alunos é um BMW 130i automático de seis marchas, que desenvolve 265 cv de potência a 6.650 rpm, torque de 32,1 mkgf a 2.750 rpm, acelera de 0 a 100 km/h em 6,1 segundos e alcança a velocidade máxima de 250 km/h. Suficiente? Também achamos que sim…

Após o primeiro contato com o carro, iniciamos as atividades. As primeiras visavam mostrar a eficiência do ABS em uma situação crítica no trânsito e as dificuldades encontradas por um motorista que não tem esta tecnologia no seu carro. Com o sistema, o carro pára mais rápido quando é necessário frear e mantém o controle do veículo nas mãos do motorista. Já sem este item de segurança, o carro demora mais para zerar o velocímetro e, com as rodas travadas, tira a possibilidade de o condutor desviar de um determinado obstáculo, já que o veículo fica fora de controle.

Também foram realizados testes com o controle de estabilidade, outra tecnologia que, assim como o ABS, se mostrou extremamente interessante por evitar que o carro, em uma acelerada mais forte, saia de frente e perca a trajetória, por exemplo, em uma curva de alta velocidade, com a pista completamente molhada.

Ao final do curso, algumas conclusões foram unânimes. A primeira é que a maioria dos motoristas não está preparada para enfrentar um momento de perigo no trânsito. A segunda é que, após fazer um treinamento de ponta, o motorista fica mais preparado para evitar um acidente de graves conseqüências. E a terceira: vale mais investir em equipamentos de segurança, como ABS e controle de estabilidade, do que comprar um DVD player de última geração ou rodas de liga leve com desenho exclusivo.

Fonte: Diário do Grande ABC