Dodge Journey: rumo à nova jornada


Crossover está prestes a chegar renovado e apenas com motor V6, cedendo espaço para o Freemont

Renata Viana de Carvalho, de San Diego (EUA)

Dodge Journey: além dos retoques visuais, o crossover recebeu interior mais caprichado e terá apenas motor V6 no Brasil
Em 2010, o Dodge Journey conquistou posição de destaque na Chrysler: tirou doJeep Grand Cherokee o posto de veículo mais vendido do grupo na América Latina. As 8.481 unidades representaram 24,6% do total das vendas. A Fiat, que não é boba, vai se beneficiar da situação. Dona da maior parte das ações do grupo americano, ela lançará o Freemont, um Journey com grade e logotipo da marca italiana. Ao Brasil, ele vai chegar no segundo semestre, mesma data prevista para o Dodge.

Para tentar impedir que um modelo canibalize as vendas do outro, a estratégia já está desenhada. É possível que você ainda encontre algum Journey SE nas lojas – e por R$ 79.900, em vez dos R$ 82.900 da tabela. Mas, saiba, serão os últimos. A versão de entrada deixará de ser importada neste mês de maio, quando a linha 2011 desembarcará por aqui ainda sem mudanças. Com isso, o Journey “básico” abrirá espaço para o Freemont. É uma jogada de risco, já que a versão de entrada representa 30% das vendas do Dodge – a intermediária (SXT) 45% e a topo de linha (RT), 25%. Se o foco se fechar na mais cara, como insinuou uma fonte a Autoesporte, o risco crescerá – ainda mais porque o preço do Journey deve aumentar em, ao menos, R$ 10 mil (o que o levará perto dos R$ 120 mil).

Quase nada mudou na traseira da Journey, que deixará para o Freemont as opções com motor de quatro cilindros
Um dos principais trunfos do modelo nessa nova fase será o motor 3.6 V6 DOHC Pentastar, que substitui o 2.7 atual (de 185 cv e 26,1 kgfm). O propulsor de 286 cv não teve dificuldade para embalar o utilitário de 4,88 m de comprimento e 1.692 kg por San Diego. Infelizmente, a avaliação ficou restrita ao trecho urbano. Mas foi o bastante para o motor demonstrar a força, garantida pelo bom torque de 35,8 kgfm – entregue na totalidade a 4.400 rpm, mas disponível em 90% a partir de 1.600 rpm. O propulsor será um dos diferenciais em relação ao Freemont, que virá para cá com um 2.4 16V de quatro cilindros e comando duplo variável, com 175 cv de potência e 22,9 kgfm de torque. Outra característica que poderá separar os modelos é o câmbio. O Dodge deve trabalhar com um automático de seis marchas, o Fiat com um manual (de cinco).

Ainda sobre a parte mecânica, a suspensão do Journey ganhou nova geometria, que aumenta o conforto, sem penalizar a estabilidade – que, por sua vez, ganhou controle mais eficiente. O rodar suave reforça o silêncio dentro da cabine. Silêncio que só é rompido pelo bom sistema de som, controlado a partir de comandos de voz ou da tela touchscreen de 8,4 polegadas, mais acessível e fácil de usar do que a anterior (que ainda era menor).

Interior ficou mais estiloso e com melhor ergonomia, melhorando o acesso aos principais comandos do painel
O monitor é só uma das gratas surpresas do interior, que melhorou muito. O painel, por exemplo, perdeu a simplicidade e ganhou traços mais fluidos. O volante de quatro raios deu lugar ao de três com melhor pegada, que abriga comandos do rádio e controle de cruzeiro. O quadro de instrumentos tem marcadores com novo grafismo. No centro, traz um computador de bordo de fácil leitura. Tudo é bem acabado, com materiais suaves ao toque. Pelas fotos divulgadas, a Fiat adotará o mesmo desenho no Freemont. Mas os detalhes de acabamento devem mudar. Por fora, as alterações são sutis e vieram para dar um ar mais offroad ao modelo, que tem a parte inferior da carroceria contornada por acabamento preto.

Só o tempo dirá se os irmãos vão conviver em harmonia. Mas que seria injusto o Journey sair perdendo agora que está em sua melhor forma, isso seria

Nova instrumentação deu um aspecto mais esportivo do modelo norte-americano, clone do Fiat Freemont
Fonte: Auto Esporte