Driblando a crise no setor automotivo

Começam a aparecer sinais de que a crise internacional pode ter um impacto maior na economia brasileira do que sugeria a expectativa de uma blindagem segura. Um alerta vem agora do campo, por meio de Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura. Para ele, o setor agrícola pode ser duramente afetado pelo aumento nos custos de produção e escassez de crédito. Rodrigues pede atenção do governo e a volta de preços mínimos. Para muitas empresas brasileiras as operações cambiais realizadas antes da crise, com a aposta em limitada desvalorização do real, pode ser uma armadilha cruel. O fato é que ninguém sabe qual o impacto efetivo da crise sobre a economia brasileira – mesmo porque os economistas erraram em quase todas as previsões. E quanto ao setor automotivo? Os representantes das montadoras procuram infundir confiança ao mercado e à cadeia de suprimento. Empresas como Iveco, Delphi e Visteon observam com cautela a evolução da crise, mas asseguram a manutenção dos investimentos. José Helio Contador Filho, presidente da Visteon, não acredita que a economia brasileira sofra um impacto tão grande como os Estados Unidos e países europeus. Gábor Deák, presidente da Delphi, reclama da dificuldade de planejar no longo prazo, só possível com adivinhação, mas está confiante na evolução dos projetos da empresa no Brasil. Até agora a inadimplência nos financiamentos é inferior a 4%, bem menor do que os 7% para o varejo como um todo. Por esse indicador, estamos ainda longe do risco sugerido pelo ex-presidente da GM, Ray Young, para quem os financiamentos de longo prazo seriam uma espécie de ‘subprime’ para o Brasil. Bancos e financeiras no país têm tratado de garantir a segurança nos empréstimos e podem elevar o aperto nas condições para os financiamentos, seja diminuindo prazos, elevando taxas ou exigindo uma entrada maior. A curto prazo haverá oferta de juros menores e condições especiais, para desovar estoques. Isso deve acontecer especialmente no setor de importados (automóveis, SUVs e motos), que enfrentará dificuldades se o câmbio continuar desfavorável. Será preciso esperar um pouco mais, no entanto, para uma leitura mais clara das tendências. Por enquanto a Anfavea e o Sindipeças mantêm as projeções para o fechamento do ano, que já refletem uma desaceleração no crescimento das vendas de veículos (13 de outubro).
Fonte: Automotive Business