É marcha demais!

Ninguém nem se lembra (ou teve notícia) de que os carros antigos, principalmente os norte-americanos, tinham grandes e poderosos motores, com câmbios de apenas três marchas à frente. Mas, em nome da eficiência, os motores foram sendo reduzidos e as caixas ganhando cada vez mais marchas: quatro, cinco, seis… E já tem carro hoje com 10 marchas.

Já existe até uma piada a respeito: nos Estados Unidos, os motores tinham oito cilindros (V8) e a caixa três marchas. Hoje, os motores são de três cilindros e os câmbios de oito…

Há quem pergunte para que tanta marcha se “eu não corro com o meu automóvel”. Está aí um grande engano. Número maior de marchas não é para aumentar a velocidade final do carro. A ideia é de oferecer ao motorista uma marcha mais adequada em cada situação.

(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Exemplo: o carro está subindo uma ladeira de terceir, mas o motor vai perdendo rotação, o que obriga o motorista a reduzir, cambiar para uma marcha mais forte. Ele joga então a segunda para vencer a ladeira. Entretanto, muitas vezes a segunda marcha se revela “forte” demais e o motor sobe muito de giro. O motorista volta para a terceira, mas ela não dá conta do recado…

Esta é uma situação em que o carro pede uma marcha intermediária, mais forte que a segunda, mais fraca que a terceira. Até por uma questão de consumo: quanto mais adequada a relação da marcha, o motor vai trabalhar numa faixa de rotação de maior eficiência, reduzindo o consumo de combustível e as emissões.

Então, seguindo este raciocínio e lembrando-se de que os motores estão tendo sua cilindrada reduzida, quanto mais marchas, tanto melhor em duas situações: como no exemplo acima e também na rodovia, para se manter velocidades elevadas em trechos planos com o motor em baixas rotações. Neste caso, a marcha mais “longa” não é para se atingir 200 km/h, mas para rodar a 100 km/h ou 110 km/h com mínimo consumo.

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