Ele pode salvar a GM?

Robert Lutz
Guru da indústria automotiva, Bob Lutz é o responsável pelo revolucionário projeto do volt,o carro elétrico que a General Motors pretende lançar no final de 2010. Se bem-sucedido, o volt pode ajudar a GM a sair da maior crise financeira de seus 100 anos de história

Por Gustavo Poloni, de Detroit

Ele é um amante da velocidade. A primeira coisa que chama a atenção de quem entra no escritório de Robert Lutz, vice-presidente do conselho e responsável pelo desenvolvimento de produtos da General Motors, é um motor Lamborghini colocado num dos cantos da sala. Prateleiras e móveis são decorados com miniaturas de carros esportivos e aviões de combate, o mesmo tema dos quadros nas paredes. Sua criação mais célebre, o Dodge Viper, lançado em 1992, tinha 400 cavalos de potência e atingia 300 quilômetros por hora – quase tão rápido quanto um Fórmula 1.

Nos últimos meses, no entanto, Lutz tem trabalhado num projeto que jamais será lembrado pela velocidade. Ele será marcado como o primeiro veículo elétrico produzido em larga escala e que vai ajudar a diminuir a dependência do petróleo. Mais do que um carro revolucionário, o Volt, cujo lançamento está previsto para o final de 2010, é a principal aposta da GM para sair da maior crise de sua trajetória centenária. Depois de acumular prejuízos de US$ 19 bilhões nos dois primeiros trimestres, a montadora chegou próxima do fundo do poço durante a recente tormenta financeira. O valor de suas ações despencou para US$ 4,76, nível mais baixo desde a crise de 1929. “Quando uma empresa está com problemas, precisa fazer coisas fora do comum para sair dessa situação”, disse Lutz a Época NEGÓCIOS em seu gabinete no segundo andar do Tech Center, prédio da GM em Warren, no subúrbio de Detroit. “O Volt significa a reinvenção do automóvel.”

Na aparência, o Volt será um carro como qualquer outro. Seu trunfo inovador está oculto na tecnologia debaixo do capô. O Volt é um modelo plug-in, ou seja, ele será recarregado numa tomada de 110 volts durante oito horas, carga suficiente para fazê-lo rodar 64 quilômetros. Essa distância não foi fixada ao acaso. Estudo realizado pela montadora identificou que 78% dos americanos percorrem pouco menos do que essa quilometragem por dia. Ou seja, os motoristas poderiam ir e vir sem queimar uma única gota de gasolina. “É por isso que o Volt é transformador”, diz Lutz. “Fará com que as pessoas se livrem dos combustíveis fósseis.”

Quem precisa de mais autonomia não terá de sair em busca de uma tomada nas ruas quando a carga acabar. Um pequeno motor a combustão entra em funcionamento e tem como função ligar um gerador que vai alimentar a bateria. O único motor a fazer o carro andar será o elétrico, e o reforço vai ajudar a aumentar a autonomia para até 500 quilômetros (veja quadro na página 167). Como dispõe de dois motores, muitos imaginam que o Volt será um carro híbrido, como o Prius, da Toyota. Mas será um híbrido como nenhum outro. A principal diferença entre os dois modelos está na fonte de energia. No Prius e seus pares, a gasolina é que manda – o motor elétrico só melhora o consumo. Já a fonte de energia do Volt é a eletricidade, e o motor a combustão aumenta a autonomia da bateria.

Ao mesmo tempo em que vai ajudar a libertar a maioria dos motoristas americanos da dependência do petróleo, a bateria tem sido considerada o maior empecilho para os planos da GM. É fácil entender por que: a tecnologia usada no Volt, à base de íons de lítio, é comum em celulares e notebooks, mas nunca antes foi adaptada para um automóvel. Carros híbridos, como o Prius, usam uma bateria feita de níquel, uma solução mais madura e confiável. O problema é que elas têm autonomia limitada a apenas 11 quilômetros – daí a necessidade de desenvolver um produto que não existe no mercado. Os engenheiros da GM correm contra o tempo para encontrar a melhor forma de resfriar a bateria do Volt (não são raros os casos de explosões de celulares e notebooks) e certificar-se de que sua vida útil se estenda por dez anos ou 240 mil quilômetros. Para tanto,
Fonte: Auto Esporte/Epoca Negócios