Emprego nas montadoras do País é recorde

                                             Leone Farias
Diário do Grande ABC

O emprego no setor automobilístico chegou, em maio, ao maior nível desde junho de 1990, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

As fabricantes contam atualmente com 141.911 postos de trabalho, 9,3% mais que no mesmo mês de 2010 e 0,7% mais que em abril. O último recorde, há 21 anos, eram 142 mil pessoas ocupadas no segmento.

Exemplo desse movimento de contratações é o fato de a General Motors ter aberto terceiro turno, com a admissão de 1.500 pessoas para a fábrica de São Caetano, neste mês.

Para o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, o aumento das contratações reflete o crescimento do mercado neste ano, mesmo com as medidas do Banco Central para conter o consumo e refrear a inflação. A entidade manteve suas projeções de que as vendas do segmento no mercado interno devem somar 3,69 milhão de unidades vendidas neste ano, 5% acima do total de 2010.

Em relação a eventual revisão das estimativas, o dirigente afirma que só depois do fechamento dos números do primeiro semestre, mês que vem, será possível ter visão melhor sobre os efeitos das medidas.

Belini assinala que as elevações da taxa básica de juros e as decisões do BC de elevar o depósito compulsório dos bancos para o financiamento de longo prazo e aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas compras a prazo já geraram desaceleração nas vendas e na produção.

Em maio, o volume de fabricação (303,5 mil unidades) e também o de comercialização (318,5 mil) foram os maiores para esse mês em toda a história do País. Para o dirigente, no entanto, os números escondem a realidade de desaquecimento causado pelas medidas do governo.

Isso porque, apesar de a produção ter crescido 8,4% frente a abril, pela média diária houve retração de 6,5%. Comportamento semelhante é verificado nas vendas, que por essa última comparação, caíram 4,9%. Isso ocorreu porque o mês passado teve três dias úteis a mais.

O dirigente diz ainda que alguns dados apontam o ritmo menor do setor: os juros para as compras de carros chegaram em abril a 21% ao ano, 2,8 pontos percentuais mais no mesmo mês de 2010; o crédito bancário, que vinha se expandindo de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões no ano passado, agora crescem R$ 1 bilhão por mês, e a inadimplência, embora ainda esteja em patamar menor que em 2010, tem crescido nos últimos quatro meses.

IMPORTADOS – As importações de veículos seguem crescendo e são outro ponto de preocupação para as fabricantes. Em maio, as aquisições de carros fabricados no Exterior chegaram a 23% do total das vendas no mercado interno. Foi mais do que em abril (22,2%) e empata com o maior patamar observado neste ano, em janeiro.

A desaceleração nas vendas de veículos também é menos sentida entre os importados. Na média diária, enquanto as vendas de carros nacionais se reduziram 6,5% de abril para maio, os de outros países tiveram alta de 0,8%.

Ao mesmo tempo, no mês passado, o total das exportações de veículos, mesmo com três dias úteis a mais, caíram 7,8%, de acordo com os números da Anfavea.

Nos cinco primeiros meses do ano, a balança comercial (diferença entre exportações e importações) já está negativa em 107.607 unidades. No mesmo período de 2010, estava em 34,7 mil unidades. De janeiro a maio de 2009, quando a crise de crédito era sentida, o deficit era de 44,1 mil unidades.

ESTUDO – A associação das montadoras finaliza estudo que levará ao governo federal sobre a competitividade do setor. Belini diz que as análises estão em fase de “refinamento”, ou seja, foram aprofundadas e, talvez ainda neste mês, sejam apresentadas.

Fonte: Diário do Grande ABC