Entrevista:Thomas Schmall


Do Diário do Grande ABC

Quando Thomas Schmall assumiu a presidência da Volkswagen do Brasil, há três anos, encerrava-se um ciclo. Para trás, havia ficado uma reestruturação em que esteve ameaçada de fechamento a histórica fábrica de São Bernardo. Para frente, as perspectivas eram boas.

Foi o que aconteceu. A VW se recuperou, retomou a dianteira em automóveis e disputa a liderança com a Fiat, que só se mantém em primeiro com a soma de comerciais leves. Prestes a ser lançada, a picape média Amarok é a grande aposta da Volks para virar o jogo.

Schmall agora prepara um novo planejamento da montadora para os próximos dez anos. Em suas metas, a previsão de alcançar 1 milhão de carros no mercado brasileiro em 2014, o que representará 25% das vendas. Para isso, anunciou investimento de R$ 6,2 bilhões para ampliar a capacidade e lançar novos produtos.

Casado com uma brasileira, o jovem executivo alemão, de 45 anos, disse que, no ano em que a fábrica da Anchieta comemora oficialmente 50 anos, não gostaria de receber, mas sim de dar um ‘presente´´ aos funcionários da planta de São Bernardo, que se reinventou e passou a ser importante para os planos da VW no Brasil e na América do Sul.

AUTOMÓVEIS – No ano em que a fábrica de São Bernardo completa seu cinquentenário, qual o presente que o senhor gostaria de ganhar?

THOMAS SCHMALL – Eu não gostaria de ganhar nada. Meu desejo é dar um presente aos nossos funcionários porque acho que foi um excelente trabalho nestes 50 anos. Saímos do ponto em que estávamos sob o risco de fechar para uma posição bem melhor. Se você visitar hoje nossa fábrica de São Bernardo do Campo vai encontrar outra realidade. Parte dos R$ 6,2 bilhões que anunciamos será investida no Grande ABC.

AUTOMÓVEIS – A fábrica da Anchieta pode ser considerada como a melhor da Volkswagen no Brasil?

SCHMALL – A maior produtividade que temos hoje no Brasil é na fábrica de São José dos Pinhais (Paraná). Em São Bernardo do Campo, nós temos dificuldades de ajustes em razão das estruturas mais antigas. Mas os avanços que a fábrica da Anchieta conseguiu são maravilhosos.

AUTOMÓVEIS – Os recursos que vocês vão investir são gerados no Brasil?

SCHMALL – Vai vir dinheiro de fora também. Uma parte é daqui, mas não o suficiente para fazer 100%.

AUTOMÓVEIS – A Volkswagen está fazendo um fundo mundial para financiar fornecedores. Com isso, a empresa sinaliza que precisa crescer a capacidade. O senhor diria que estes novos investimentos seriam aplicados para ampliar a capacidade?

SCHMALL – Capacidade não vale nada se você não tem produto. Por que nós soltamos fogos de artíficio com novos produtos no ano passado e neste ano? Nós fizemos o lançamento do Voyage e do Gol em 2008. Em 2009, tivemos o novo Fox, a Saveiro, ao todo 16 novidades. Isso garante crescimento. Por isso, o investimento que vamos fazer será equilibrado entre produto e capacidade. O nosso planejamento não é só para o ano que vem – é para os próximos cinco, dez anos. O investimento que eu fizer hoje você só vai ver os resultados em dez anos. Eu posso estar aposentado em dez anos (risos).

AUTOMÓVEIS – Em 2010, a Volkswagen fará quantos lançamentos?

SCHMALL – Em torno de dez. Mas ainda não estão fechados. Nosso objetivo era fechar em torno de 30 lançamentos entre este ano e o que vem. Então falta um pouquinho para esta conta fechar.

AUTOMÓVEIS – Como a Volkswagen vai atingir o posto de maior fabricante mundial de automóveis em 2018, batendo a Toyota?

SCHMALL – A nossa estratégia mundial está clara e definida. O nosso chefe anunciou dois anos atrás que vamos trabalhar forte para ser o número 1 no mundo. Nós próximos cinco anos, vamos lançar 47 produtos no Grupo Volkswagen.

AUTOMÓVEIS – Na estratégia traçada pela Volkswagen no Brasil, a liderança do mercado passa por automóveis e comerciais leves?

SCHMALL – Eu acho que nós estamos no caminho certo. Nós começamos a liderar no segmento dos carros, que significa 80% da indústria no Brasil. Mantemos a espera
Fonte: Diário do Grande ABC