Estados ligados à cadeia automotiva registram maior recuperação após a crise


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O aumento da produção da cadeia automobilística — carros, ônibus, caminhões e autopeças — vem fazendo com que os Estados que concentram esse segmento liderem a recuperação das perdas decorrentes da crise global.

Dados do IBGE (Instituto Nacional de Geografia e Estatística) divulgados nesta terça-feira mostram que, com exceção do Espírito Santo, os Estados de Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, que têm atividades ligadas ao setor, têm maior força na recuperação ao longo deste ano.

Em relação a dezembro, quando a indústria atingiu o menor nível desde o agravamento da crise, em setembro do ano passado, o Espírito Santo acumula alta de 21,8%, baseado na recuperação do setor de celulose. Minas Gerais (21,3%), Bahia (13,1%), Rio Grande do Sul (13%), Paraná (10,8%) e São Paulo (10,6%) vêm logo em seguida, baseados principalmente na indústria automotiva.

´Os Estados que apresentam os maiores níveis de recuperação desde dezembro vêm a reboque do setor automobilístico e da sua cadeia´, afirmou André Macedo, da coordenação de Indústria do IBGE.

Ele lembrou que, no Rio Grande do Sul, há boa concentração da indústria de autopeças, e na Bahia, a produção de tintas para a indústria automotiva é significativa. Minas Gerais, São Paulo e Paraná são sede de grandes montadoras.

A retomada em relação ao fundo do poço na crise não impede que a produção industrial nos Estados ainda se mantenha negativa, no acumulado de setembro de 2008 a agosto deste ano. A exceção é Goiás, que já tem alta de 5,2%, baseado nos resultados das indústrias de alimentos, e, em menor escala, a farmacêutica.

São Paulo, por exemplo, registra perdas de 9,3% desde o agravamento da crise. Seguem a mesma linha Minas Gerais (-14,6%), Amazonas (-12,7%), Santa Catarina (-11,8%), Espírito Santo (-11,4%) e Rio Grande do Sul (-10,7%).

A produção de veículos automotores no Brasil caiu 18,5% frente a agosto de 2008. Desde dezembro, quando houve retração de 50,9%, na mesma base de comparação, a queda nesta produção vem ocorrendo de forma menos acentuada.

Fonte: Folha Online