Exportações não serão retomadas tão cedo, diz presidente da Anfavea

Vendas no exterior caíram 57% no primeiro bimestre.
Em valor, a queda foi de 53,8%, para US$ 962,7 milhões.

Priscila Dal Poggetto
Do G1, em São Paulo

A produção de veículos no Brasil é retomada paulatinamente, ao acompanhar a retomada de fôlego do mercado interno – estimulado pela redução de IPI sobre os veículos novos. Entretanto, as exportações trazem um quadro preocupante para a indústria automobilística nacional. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados nesta segunda-feira (9), o primeiro bimestre do ano fecha com 49.778 unidades vendidas no mercado externo. O volume representa queda de 57% em relação a igual período de 2008.

O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, alerta que todos os mercados mundiais caem de forma”contundente” e que o Brasil tem perdido significativamente a participação nas vendas de veículos em outros países. “Não retomaremos o ritmo das exportações tão cedo”.

Ao contrapor janeiro de 2008 com janeiro de 2009, Schneider afirma que as vendas para a Argentina já caíram 68%, de 25.700 para 8.200 unidades. No caso do México, a redução chega a 59% – as exportações para o país no período caíram de 13.400 para 5.400 unidades. Para a União Europeia a redução foi de 17% (de 3.800 para 3.100 veículos), nos países do chamado Grupo Andino a retração foi de 61% (2.700 para 1.000 unidades) e, para o Chile – país que não possui indústria automobilística local -, foi de 80% (de 2.599 para 500 unidades).

Em dólares, a perda também é expressiva. Entre janeiro e fevereiro deste ano foram exportados US$ 962,7 milhões, queda de 53,8% ante o primeiro bimestre de 2008, quando foram vendidos para outros mercados US$ 2,08 bilhões em veículos e máquinas agrícolas.

“Já há mercados automotivos em depressão, com quedas de vendas, entre 50% e 60%, e de produção, de 40% a 50%”, destaca Schneider sobre a drástica redução do poder de compra de países que são clientes da indústria de veículos nacional. “O nível de crédito no exterior diminuiu muito.”

Importações

No caso das exportações, a previsão também é de retração. Em fevereiro, o número de emplacamentos de veículos importados caiu 20,5% sobre janeiro: foram 30.715 unidades adquiridas no país contra 38.628 no mês anterior. A Anfavea explica a redução como o resultado de intensa ação comercial para reduzir os estoques de importados.

Porém, de acordo com o presidente da Anfavea, a projeção é de que a redução se acentue ainda mais. “A partir de agora há uma tendência de queda das importações por causa do dólar. Não chegaremos aos 13% registrados no ano passado”, diz Schneider.

Segundo ele, além da questão cambial, a queda das exportações afeta os acordo bilaterais entre países como Argentina e México, o que afeta diretamente o volume importado. “De onde importamos, exportamos muito”, observa. Assim, com a redução de volumes nas vendas para estes países, as compras também diminuirão.

Fonte: G1 Globo Online