Fabricantes de autopeças trabalham no limite de sua capacidade

Rubens Marujo

Ainda não faltam autopeças no mercado, mas as indústrias do setor estão operando na capacidade plena para atender ao ritmo alucinante da produção de veículos. Só neste ano, as montadoras deverão fabricar 15% a mais que em 2007, o que significa 3,4 milhões de unidades. Os fornecedores enfrentam o que denominam de estresse da produção. Para aliviar a pressão, o setor está investindo R$ 1,6 bilhão neste ano, 18,5% mais que em 2007. Mas não há muito do que reclamar, pois o faturamento previsto para 2008 é de US$ 45 bilhões, 15% maior que no ano anterior.
Setor atua em três turnos e sete dias por semana, segundo o Sindipeças.

Para avaliar melhor os efeitos do crescimento, o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), entidade que reúne 500 fabricantes, encomendou pesquisa junto aos associados. Segundo Flávio Del Soldato, coordenador do trabalho, “apesar das dificuldades que muitas empresas têm para investir no aumento da capacidade, e da falta de matéria-prima, ainda estamos conseguindo acompanhar o ritmo das montadoras”.

Atualmente, a indústria de autopeças está operando sete dias por semana, em três turnos, com ociosidade média de 15%. “O percentual de segurança é de 20%, mas há segmentos operando com menos de 10%”, alerta Soldato. “O levantamento mostrou que mais de 80% das empresas consultadas preparam-se para investir valores 50% superiores aos do ano passado”, acrescentou.

Outro sério gargalo é a falta de mão-de-obra qualificada. Neste ano, o segmento deve empregar 235 mil trabalhadores, alta de 8,3% ante 2007.

De janeiro a maio, as exportações de autopeças para 160 países totalizaram US$ 4,1 bilhões, uma expansão de 18,5% sobre igual período de 2007. Em compensação, as importações, na mesma comparação, subiram 43,9%, para US$ 4,9 bilhões. O resultado inverteu-se de US$ 100,2 milhões de superávit no período de 2007 para déficit de US$ 726,6 milhões. Neste ano, o rombo previsto deverá ser de US$ 1,2 bilhão.

O principal motivo da queda da receita externa é o dólar desvalorizado. A cotação da moeda estimula importadoras a comprar peças fora do País para o mercado de reposição.

Além disso, as próprias indústrias são obrigadas a comprar fora matéria-prima e muitos componentes, para montar seus produtos no Brasil. O sistema de freios de um veículo, por exemplo, possui várias peças fabricadas aqui, e outras importadas.

Fonte: Diário do Comércio