Falência das montadoras norte-americanas. Lições a aprender

Valdner Papa-Articulista do Sincodiv online  Por Valdner Papa

Estamos acompanhando, na mídia em geral, o desespero das três principais montadoras norte-americanas – General Motors, Ford e Chrysler -, na busca de uma ajuda de caixa de US$ 25 bilhões para superar os constrangimentos criados pela crise econômica mundial. Seus líderes indicam, inclusive, eventual falência das empresas, caso o pleito não seja atendido.

Esse fato tem nos permitido analisar com muito detalhe as possibilidades, riscos, pensamentos, comportamentos e conseqüências de cada um dos quadros que vêm sendo analisados por todas as partes envolvidas.

Caminho para depressão?

Há analistas que entendem que a falência das indústrias levaria ao aprofundamento da crise, de forma intensa, podendo indicar até um quadro de depressão com reflexos em fornecedores de autopeças, concessionários e, novamente, os bancos. Tendo presente essa possibilidade, eles defendem a urgente ajuda do governo para os necessitados (é claro que o emprego é um dos argumentos mais representativos nesse desenho conjuntural).

Por outro lado, também analistas se perguntam se foi realmente a crise que levou as montadoras à situação delicada em que se encontram e, aparentemente, irreversível, colocando à mesa, para discussão, o grave problema da previdência privada que gera um expressivo déficit. Questionam-se também a improdutividade, cada vez mais, flagrante na produção norte-americana quando comparada – por exemplo – aos japoneses, e a evidente gestão de eficiência duvidosa, com pagamentos milionários de bônus e prêmios a executivos das indústrias que, por sua vez, têm lançado mão de produtos inadequados ao mercado, além de demorar a realização de ajustes necessários e assim por diante.

A posição do Congresso norte-americano

A presidente do Congresso dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, deixou claro que qualquer ajuda deve ser precedida de estudo de viabilidade do empréstimo fornecido, o que significa que deve ser assegurado ao contribuinte que seu dinheiro será adequadamente usado e que seu retorno é viável e garantido. Essa imposição implica em compromissos de melhor produtividade, eficiência, preocupação com meio-ambiente, remuneração de executivos (sem excessos) e ajustes necessários à gestão. Assim, a primeira grande lição é a de que, mesmo no meio do olho do furacão, não será a pressão por urgência que irá eliminar a necessidade de posicionamento claro e transparente de propósitos. Grande lição a ser apreendida!

Quais seriam as vantagens da falência para as montadoras norte-americanas?

As vantagens apontadas pelos analistas são:

Trocar dívidas com fornecedores por ações da companhia
Cortar salários através de anuência dos sindicatos
Comprar suprimentos em melhores condições
Diminuir a rede de distribuição
Quais seriam as desvantagens da falência para as montadoras norte-americanas?

As desvantagens apontadas pelos analistas são:

Pesquisa aponta que 80% dos clientes consultados não comprariam carros de montadora falida
Haveria um efeito cascata para a indústria de autopeças e outras montadoras
O moral dos empregados e distribuidores ficaria profundamente deteriorado.
Lições a serem apreendidas

Embora o quadro brasileiro seja muito diferente do norte-americano, devemos meditar e apreender que:

Erros na gestão podem demorar a trazer conseqüências, mas elas sempre aparecerão e o tempo só aumenta o problema
Eficiência, adaptabilidade às novas realidades do mercado, produtividade, transparência, comprometimento e responsabilidade socioambiental passaram a ser palavras de ordem na administração
Os concessionários devem procurar construir “uma vida” mais independente em suas empresas, por meio da aposta nos negócios com carros usados, acessórios, F&I e prestação de serviços para que, nas crises, possa sobreviver melhor
A lealdade do consumidor é diretamente ligada à capacidade de cumprir com este consumidor as obrigações contratadas

Conclusões

Tudo indica que o novo governo de Barack Obama estar
Fonte: Sincodiv online